A África Subsaariana pode se separar em milhões de anos, segundo estudo que aponta indícios de uma nova fronteira continental na Fenda de Kafue, ligada a uma linha de fissuras de cerca de 2.5 mil km que vai da Tanzânia à Namíbia. Pesquisadores sugerem que a área mostra sinais de atividade tectônica e de possível nascimento de uma nova fronteira de placas.
Foram coletadas amostras de fontes termais e poços geotérmicos na Zâmbia, acima da suposta fenda. A análise concentrou-se na razão entre hélio-3 e hélio-4 para indicar fluidos do manto ascendendo até a superfície, sinal que reforça a hipótese de atividade da fenda. Os resultados são preliminares, pois abrangem apenas seis locais.
O estudo foi publicado nesta segunda-feira na revista Frontiers in Earth Science. A equipe liderada por Rūta Karolytė, então na Universidade de Oxford, aponta que os dados geoquímicos constituem uma evidência nova de fenda em atividade. Estela Atekwana, da UC Davis, ressalta que ainda é preciso ampliar a amostra para confirmar o surgimento de uma fronteira completa.
A hipótese prevê que o afrouxamento das placas pode gerar expansão da fenda, com impactos a longo prazo. Pesquisadores destacam que também há necessidade de monitoramento adicional para entender se o sinal de manto persiste ao longo de toda a área candidata.
Especialistas ressaltam que, se confirmada, a formação de uma nova fronteira poderia oferecer oportunidades, como energia geotérmica na região da Zâmbia, além do possível aproveitamento do hélio. Entretanto, o quadro científico ainda depende de novas evidências.
Folarin Kolawole, que não participou do estudo, afirma que as descobertas são inovadoras ao sugerirem fluxo do manto para a superfície por meio de zonas de fenda recém-formadas. A confirmação de uma fronteira completa exige estudos em escala maior ao longo do traçado proposto.
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