Os zoantídeos, parentes dos corais, formam colônias multicoloridas nos recifes, mas são menos estudados em termos de biogeografia. Uma pesquisadora brasileira observou que espécies vistas no Brasil pareciam quase idênticas a populações de outros oceanos.
Ao cruzar literatura, novos registros e dados morfológicos e genéticos, a oceanógrafa Maria Eduarda Santos avaliou pela primeira vez a biogeografia global dos zoantídeos. O estudo resultou em um artigo na Frontiers of Biogeography.
A partir de análises iniciais, incluindo trechos morfológicos e de sequenciamento, ficou evidente que as similaridades também aparecem no DNA. A pesquisadora do Cebimar, USP, decidiu sequenciar o genoma completo, com bilhões de pares de bases, mesmo diante do custo e da complexidade.
O resultado mostrou menor diferença genética do que o esperado, surpreendendo a equipe. “Não houve diferenças tão relevantes quanto se imaginava para esse grupo de organismos”, afirma Maria Eduarda Santos.
Agora, os cientistas trabalham para entender essa semelhança genética. O próximo passo envolve o genoma nuclear, que pode trazer novidades e motivar nova publicação sobre zoantídeos em breve.
Genoma mitocondrial e padrões de dispersão
Em geral, o oceano Indo-Pacífico abriga mais espécies que o Atlântico. A pesquisadora explica que a separação entre África e Brasil, há cerca de 200 milhões de anos, favoreceu a diversidade no Atlântico, enquanto o Indo-Pacífico acumulou variações ao longo do tempo.
No mergulho inicial, a semelhança entre zoantídeos do Japão e do Brasil chamou atenção. O estudo aponta que apenas duas famílias foram identificadas na região, possibilidade de existirem no Atlântico também, ainda não descritas localmente.
Perspectivas e próximos passos
Segundo os autores, o genoma mitocondrial tende a evoluir lentamente em zoantídeos, o que facilita a manutenção de semelhanças globais. Ainda que haja diferenças ecológicas, o isolamento geográfico não foi suficiente para divergência acentuada entre as populações.
Apesar de existem fluxos de água entre Índico e Atlântico Sul, devido às correntes de Agulhas, pode haver troca de organismos. A equipe sustenta que alguns zoantídeos são altamente adaptáveis e disseminaram-se amplamente, mas ressalta a necessidade de taxonomia mais aprofundada.
O estudo atual é uma etapa inicial para caracterizar similaridades morfológicas entre zoantídeos irmãos. A pesquisa futura revisitará o genoma nuclear para confirmar padrões e ampliar o conhecimento sobre ecologia e monitoramento dos recifes.
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