O estudo publicado nesta segunda-feira, 18, na Journal of Geophysical Research: Solid Earth aponta que os Pirineus e os Alpes, na Europa, podem abrigar reservas de gás hidrogênio no subsolo. A pesquisa indica que processos erosivos favoreceram a formação e o acúmulo de hidrogênio natural, com potencial de uso na transição energética.
A equipe sustenta que o desgaste rochoso revela condições para gerar hidrogênio por serpentinização, em rochas expostas no manto. O gás pode acumular-se em camadas de rocha porosa, funcionando como reservatórios naturais. A descoberta reforça hipóteses já levantadas há tempos.
Segundo Frank Zwaan, da Universidade de Lausanne, a erosão é fator chave na produção natural de hidrogênio, atuando de forma ambivalente. O pesquisador ressalta que o processo depende de condições específicas para ocorrer de forma viável.
Da tectônica à energia limpa
As montanhas analisadas formaram-se a partir da separação de placas tectônicas em bacias de rifte, que evoluíram para as cordilheiras. Esse cenário permitiu o deslocamento de rochas do manto para a superfície, facilitando a serpentinização e a liberação de hidrogênio.
Os dados usados pelos pesquisadores incluem modelos avançados de placas tectônicas. Eles mostraram que a erosão eleva rochas do manto, elevando as chances de geração de hidrogênio natural. Contudo, erosões muito rápidas podem destruir rochas e reduzir a produção.
Potencial relativo entre cadeias montanhosas
Ao comparar várias cadeias, o estudo conclui que Alpes e Pirineus possuem condições mais favoráveis para o acúmulo de hidrogênio, em relação a outras regiões. Mesmo assim, os especialistas destacam que a exploração em escala ainda não é viável.
Para avançar, são necessárias mais pesquisas para identificar reservas exploráveis com sustentabilidade. O esforço busca entender onde grandes reservas de hidrogênio natural podem existir, dentro de um quadro de transição energética mais limpa.
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