O aquecimento acelerado dos oceanos está reduzindo áreas habitadas por aves marinhas como albatrozes e petréis, forçando esses animais a percorrer distâncias maiores em busca de locais adequados para viver. O estudo, da Universidade de Reading, foi publicado na Nature Climate Change.
Os pesquisadores analisaram mais de 120 espécies da ordem Procellariiformes — que inclui albatrozes, petréis, pardelas e painhos — para entender as respostas a mudanças climáticas ao longo de milhões de anos. A equipe cruzou árvores evolutivas, registros climáticos antigos e dados de temperatura dos oceanos.
Em vez de encolhimento físico, as aves passam a ocupar áreas menores do oceano e precisam voar mais longe para encontrar condições favoráveis. A velocidade do aquecimento atual, causado pela queima de combustíveis fósseis, é apontada como o principal problema.
Cenários até 2100
A taxa de aquecimento dos oceanos hoje é cerca de 10 mil vezes mais rápida do que a capacidade de adaptação histórica dessas aves. Historicamente, aumentos eram de aproximadamente 0,00002°C por década; hoje chegam a cerca de 0,13°C por década.
Modelos criados pelos autores reconstruem habitats antigos e projetam cenários para 2100. Em um cenário com menos emissões, menos espécies seriam afetadas e as perdas de território seriam menores. No cenário mais pessimista, mais de 70% das espécies podem perder parte de sua área.
Quatro pássaros marinhos aparecem em posição de risco real: Petrel de Galápagos, Petrel de Jouanin, Pardela de Newell e Painho de ventre-branco. Além da proteção, as aves ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos ao transportar nutrientes.
Conservação além do presente
O pesquisador líder afirma que estratégias de conservação devem mirar além das áreas atuais. Esforços precisam cobrir territórios que as aves deverão alcançar no futuro, ampliando esforços de proteção e monitoramento.
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