Uma baleia jubarte percorreu mais de 15 mil quilômetros, entre o Brasil e a Austrália, em uma migração inédita que quebrou recorde mundial. O feito foi registrado por meio de décadas de observação e apareceu em um estudo publicado na Royal Society Open Science.
Pesquisadores destacam que a distância excede o esperado para a espécie, cuja rotina envolve migrações entre áreas frias de alimentação e regiões quentes de reprodução. O caso aponta para conectividade entre populações distantes e sugere possíveis ajustes nas leituras sobre rotas oceânicas.
A identificação ocorreu pela análise de padrões únicos na cauda de cada baleia, que funciona como impressão digital. Ao cruzar milhares de fotografias, os cientistas comprovaram que uma baleia observada no Brasil era a mesma vista anos depois na Austrália.
Uma segunda baleia também realizou uma travessia entre os dois países, indicando que esse tipo de deslocamento pode ocorrer com mais frequência do que se pensava. A conclusão depende, porém, das localidades onde os animais foram avistados.
Como reconheceram a mesma baleia
O método principal foi comparar desenhos e manchas na parte inferior da nadadeira caudal. A correspondência entre arquivos de décadas reforça a veracidade do registro.
Os pesquisadores ressaltam que distâncias reais podem ser ainda maiores, já que as trajetórias só são conhecidas a partir dos pontos de avistamento reportados. O estudo evidencia a necessidade de ampliar a rede de observação global.
Possíveis impactos ambientais
Especialistas indicam que mudanças nos oceanos podem estimular migrações incomuns. Alterações no gelo Antártico, correntes marinhas e na distribuição do krill influenciam o deslocamento de jubartes.
Além disso, o intercâmbio entre grupos distantes favorece a diversidade genética, importante para a sobrevivência da espécie. Os autores lembram que os cantos das jubartes possuem componentes culturais que podem ser repassados entre populações.
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