Uma lente de contato bioeletrônica pode estimular áreas do cérebro ligadas ao humor sem remédios, cirurgia ou implantes. Em camundongos, o teste apontou efeitos comparáveis aos observados com fluoxetina, medicamento usado no tratamento da depressão. O estudo foi publicado em maio de 2026 na Cell Reports Physical Science.
A pesquisa sul-coreana mostrou que a lente aciona o cérebro pela retina, usando interferência temporal para enviar sinais elétricos leves pela retina. Esses sinais estimulam neurônios ligados ao humor sem prejudicar a visão, com materiais ultrafinos e flexíveis que garantem conforto.
Os camundongos foram expostos a hormônio relacionado ao estresse para induzir depressão. Em três semanas de uso diário de 30 minutos, o grupo tratado com a lente apresentou maior atividade, mais exploração e menos comportamentos de desânimo.
Os resultados biológicos foram expressivos: houve aumento de 47% na serotonina, queda de 48% no estresse e recuperação de proteínas cerebrais, com redução de inflamação. O cérebro mostrou sinais de recuperação funcional.
Resultados comportamentais e cognitivos
A análise com inteligência artificial conferiu aos dados uma leitura adicional: o grupo tratato com a lente se aproximou do perfil dos animais saudáveis. O algoritmo comparou padrões comportamentais e sinais cerebrais para confirmar a melhora.
Exames indicaram maior conectividade entre o hipocampo e o córtex pré-frontal, regiões associadas às emoções. A inteligência artificial ajudou a confirmar a relação entre mudanças comportamentais e alterações neurais.
Perspectivas e próximos passos
Ainda em fase experimental, o método não está disponível para uso humano. Pesquisadores planejam tornar a lente sem fio e avaliar a segurança em animais de maior porte. Futuramente, a tecnologia pode mirar ansiedade, dependência, declínio cognitivo e estresse.
Especialistas ressaltam que os resultados representam um avanço notável em neurociência, bioeletrônica e IA. O objetivo é desenvolver tratamentos menos invasivos e mais personalizados para saúde mental.
Publicado pelaCell Reports Physical Science em maio de 2026, o estudo de Wonjung Park destaca uma rota inovadora que conecta olhos e cérebro para modular humor de forma não farmacológica.
Entre na conversa da comunidade