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O ícone do Barbaresco italiano apostou pesado em blends de Bordeaux há 30 anos

Ca’Marcanda, em Bolgheri, marca expansão de Angelo Gaja para blends de Bordeaux há trinta anos, com foco em terroirs diversificados e adaptação climática

The Gaja family
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A celebração de Ca’Marcanda revisita a trajetória de Angelo Gaja, rei do Barbaresco, ao ampliar seu repertório com vinhos de Bolgheri. O garçom de uma degustação especial percorre vintages de 2000 a 2023, destacando a expansão para a Toscana litorânea.

O projeto Ca’Marcanda nasceu em 1996, liderado pela visão de Angelo Gaja. Gaia Gaja brinca que o pai poderia ter “trocado Nebbiolo por Cabernet”, mas a flexibilização estética abriu liberdade na nova Itália.

A experiência ocorre em Bolgheri, região litorânea da Toscana, onde a família já se envolve desde os anos 2000, após nomes-chave do movimento Super Tuscan. Hoje, três irmãos decidem semanalmente com o enólogo.

Ca’Marcanda tem 120 hectares com quatro rótulos, sendo Camarcanda o grande destaque. As uvas passam por cabernet sauvignon, cabernet franc, merlot, petit verdot, syrah e sangiovese.

Ca’Marcanda: estilo e terroir

A vinícola trabalha com solos variados, da areia à argila, com influência das Colinas Metalliféricas. Estudos recentes apontam cerca de 27 tipos de solo na área, prometendo surpresas futuras para Bolgheri.

O vinho emblemático Camarcanda é hoje uma espinha dorsal da casa, resultante de parcelas selecionadas e maior presença de cabernet sauvignon, com cabernet franc na complementação.

Gaia ressalta a importância de reconhecer a “italianidade” na produção, valorizando a pureza de fruta, do terroiro e a qualidade dos ingredientes na cozinha e na adega.

Inovação e clima

Desde o começo, Angelo colaborou com acadêmicos e especialistas para antecipar mudanças climáticas. A Ca’Marcanda participa de estudos com o professor Andrea Lucchi, da Universidade de Pisa, sobre comportamento de insetos.

O projeto desenvolve práticas para biodiversidade e solos saudáveis, incluindo agroflorestas, adubos orgânicos e coberturas vegetais. Há também mudança de porta-enxertia e manejo de plantas.

Mesmo com vintages desafiadoras, Gaia vê nesses períodos uma chance de manter a “excelência na consistência” ao longo de décadas, ajustando processos na vinha e na adega.

A organização tem adotado mudanças na viticultura, com plantio de vinhas mais frescas, técnicas de manejo de raízes e estratégias de mistura de uvas para equilibrar safras incertas.

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