Em conversa com o médico Roberto Kalil Filho no CNN Sinais Vitais, especialistas discutem os limites da medicina estética. O programa vai ao ar neste sábado, às 19h30, e reúne Marcelo Sampaio, cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e a médica Luciana Pepino para analisar quando a busca pela aparência deixa de ser saudável.
A pauta envolve sinais de alerta que indicam distúrbios na relação com a própria imagem e a responsabilidade do profissional de saúde em rejeitar procedimentos que possam trazer danos. O debate destaca a importância de avaliar o impacto emocional e físico das intervenções.
Os especialistas explicam que a linha entre melhoria estética e patologia pode se tornar difusa quando a satisfação depende exclusivamente de alterações visuais. Em casos assim, a conduta ética do médico passa pela recusa de procedimentos inadequados.
O papel do profissional em dizer não
Luciana Pepino ressalta que a responsabilidade médica é central. Um bom cirurgião precisa estabelecer limites sobre o que pode ou deve ser feito, evitando intervenções desnecessárias. A médica afirma que negar um procedimento pode ser necessário para a segurança do paciente.
Ela aponta ainda que a busca constante por perfeição estética pode sinalizar problemas mais graves. Casos em que o paciente associa felicidade apenas a mudanças no rosto ou no corpo indicam necessidade de avaliação cuidadosa e de encaminhamentos adequados.
Dismorfia corporal e padrões inalcançáveis
Marcelo Sampaio aborda a dismorfia corporal, condição em que a pessoa não aceita a própria aparência apesar de critérios objetivos. Segundo ele, há situações em que o paciente se percebe de forma distorcida e busca resultados que não são realizáveis.
O médico cita histórico de múltiplas intervenções sem satisfação como traço típico. Em muitos casos, o paciente atribui falhas a profissionais anteriores, o que reforça a necessidade de acompanhamento clínico rigoroso.
Influência das redes sociais e dos filtros
Os especialistas destacam o papel das redes sociais no aumento da pressão estética. Luciana descreve a ansiedade estética gerada pela comparação constante e pela padronização de beleza influenciada por filtros digitais.
Marcelo acrescenta que referências de redes sociais chegam aos consultórios com imagens que distorcem a aparência real. Filtros podem alterar pele, nariz e contorno facial, gerando discrepâncias entre imagem online e realidade do paciente.
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