Nos últimos dias, uma operação de resgate coordenada entre ICMBio e a Polícia Federal retirou 69 ararinhas-azuis de um criadouro particular em Curaçá, Bahia. O objetivo foi isolar as aves de um surto de circovírus, protegendo 2 araras maracanãs, durante uma ação que durou 16 horas.
O transporte ocorreu para um centro de quarentena da Univasf, em Petrolina, Pernambuco. A operação contou com 40 profissionais, entre veterinários, peritos criminais e personal de apoio, sob a coordenação da bióloga Cláudia Sacramento, chefe da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio.
A missão foi desencadeada após o criadouro desrespeitar orientações de biossegurança e a PF instaurar investigação sobre o surto. Os animais foram avaliados, microchipados e acondicionados em caixas de transporte com EPIs e sanitizantes, antes de seguir para o centro de quarentena.
Transferência de aves
A saída de Petrolina ocorreu às 2h50; a chegada aos arredores do criadouro foi quase ao amanhecer, com a primeira entrada da PF no local. A operação envolveu ainda o Inema e o Cemafauna da Univasf, além de equipes que participaram da leitura de microchips e do registro individual das aves.
Quatro aves apresentavam contaminação por circovírus no momento dos exames realizados em dezembro, e estavam no mesmo recinto de animais negativos, situação que gerou tensão entre a equipe. O circovírus é altamente contagioso entre psitacídeos, sem cura conhecida.
Biossegurança e controvérsias
O ICMBio destacou a necessidade de afastar o vírus do plantel saudável, sem recomendações de eutanásia. O criadouro alegou cumprimento de protocolos, porém o órgão ressalta que não há como remover a contaminação de aves já infectadas. A transferência ocorre seis meses após a PF investigar o surto no local.
O Criadouro Ararinha-azul indicou que poderá encerrar atividades, solicitando apoio para destinação das 34 aves contaminadas que permanecem sob sua responsabilidade. O ICMBio afirmou buscar parceiros para acolhimento responsável, assegurando qualidade de vida e evitando disseminação do vírus.
Perspectiva para o futuro
As autoridades estudam estratégias para manter as aves sadias sob controle e, posteriormente, retomar o programa de reintrodução na natureza. A prioridade é impedir novos surtos e preservar o conjunto de aves que já não apresentam contaminação, com revisão de parcerias e manejo científico.
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