O estudo mostra que a remoção de elefantes na savana do Quênia levou ao desaparecimento coextinto de escaravelhos de esterco. A pesquisa, liderada por Finote Gijsman, ocorreu em Mpala, no Quênia, em áreas excludentes de 2008 a 2023, com 15 anos de experimento.
Os exclosos simulavam a ausência de elefantes, retirando o esterco de elefante das áreas para observar o efeito na comunidade de escaravelhos. Esses insetos desempenham papel essencial na decomposição de fezes, controle de moscas e reciclagem de nutrientes.
Ao mapear o comportamento de 179 espécies de escaravelhos, a equipe constatou que a preferência é por esterco de elefante. Modelos previram que, com a extinção local dos elefantes, 28% das espécies de escaravelho poderiam desaparecer.
Os resultados observaram, de fato, uma redução de 23% no número de espécies de escaravelho e de 67% no total de indivíduos nas áreas sem elefantes. A degradação da decomposição do esterco e da dispersão de sementes também foi afetada.
Os autores destacam que os elefantes funcionam como espécie-chave, mantendo funcionalidade ecossistêmica. A pesquisa reforça a ideia de que mudanças em um componente podem repercutir amplamente no ecossistema, com impactos maiores que a mera perda de uma espécie.
Gijsman descreveu, por e-mail, que ecossistemas são fortemente interconectados e que a proteção aos elefantes implica a proteção de várias espécies menores que dependem deles. O estudo também foi comentado por Owen Lewis e Eleanor Slade, que não participaram da pesquisa, em relação à vulnerabilidade dos escaravelhos e ao declínio de insetos.
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