O mercado de infusões de células-tronco não aprovadas cresce nos EUA, gerando promessas duvidosas para crianças autistas. Famílias em busca de melhoria buscam clínicas da Flórida, Texas e outras regiões, mesmo sem aprovação da FDA, sob a justificativa de aliviar comportamentos desafiadores.
Landyn Holdren, de oito anos, é um dos casos citados. O pai relata agressividade e autoagressão, enquanto a família planeja a segunda rodada da infusão. A mãe pagou cerca de 12,5 mil dólares pela primeira sessão, em outubro, em Miami. O custo total pode chegar a 15 mil dólares.
O tratamento envolve doses intravenosas de células-tronco, geralmente obtidas do cordão umbilical. Em muitos casos, o procedimento é realizado com sedação. Diversos profissionais que vendem as terapias não possuem especialização em autismo ou desenvolvimento infantil.
A prática ocorre em clínicas privadas que operam à margem da aprovação federal. Médicos de áreas como cirurgia plástica e ortopedia fornecem as infusões, enquadrando-as como medicina regenerativa para crianças com deficiências severas.
Há preocupação entre especialistas de que a expansão ocorra sob o governo de Robert F Kennedy Jr., chefe da saúde, com sinalizações de flexibilização da regulação. Pesquisadores alertam para queda no enforcement e riscos para pacientes vulneráveis.
O FDA aprova células-tronco apenas em casos restritos, como transplantes de medula óssea ou apoio imune a pacientes com câncer, usando células compatíveis de doadores. O uso para autismo não é autorizado nem respaldado por estudos conclusivos.
Em Nova York, California e além, surgem relatos de clínicas que exploram lacunas regulatórias, com promessas de melhorias em comunicação, sono e comportamento. Tais afirmações costumam se basear em estudos iniciais não conclusivos.
Na avaliação de cientistas, o autismo é uma condição neuropsiquiátrica altamente heterogênea, sem diagnóstico único de falha celular. Pesquisas clínicas controladas têm mostrado resultados mistos, sem comprovação de benefício generalizável.
A FDA já emitiu alertas de que intervenções com células-tronco não aprovadas podem causar infecções graves, danos a órgãos e outros efeitos adversos. Pais são aconselhados a buscar tratamentos apenas em ensaios clínicos autorizados.
Paralelamente, surgem iniciativas fora dos EUA, como um estudo em Tijuana com células de cordão umbilical para crianças autistas entre 7 e 15 anos. O projeto inclui 120 participante s e envolve financiamento de doações, com foco na segurança inicial de 12 meses.
Especialistas alertam que projetos internacionais devem seguir regulamentações locais. Para muitos, a busca por tratamentos gratuitos ou de baixo custo é o motor para escolhas críticas, mesmo diante de evidências limitadas.
A comunidade médica ressalta que apenas ensaios clínicos bem desenhados podem estabelecer eficácia e segurança. Enquanto isso, famílias continuam buscando opções, com custos significativos e impactos financeiros, emocionais e familiares.
Fontes consultadas destacam que a supervisão regulatória é crucial para evitar abusos. A FDA orienta que tratamentos fora de ensaio devem ser evitados, e que promessas de cura devem ser tratadas com ceticismo fundamentado.
Entre na conversa da comunidade