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Mexilhões podem acumular microplásticos e transmiti-los a humanos

Mexilhões não distinguem microalgas de microplásticos, elevando o risco de contaminação humana, aponta estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio)

Brasília (DF) 21/08/2024 - Mexilhões Foto: joycemay/Pixabay
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Os mussídeos estudados podem atuar como porta de entrada de microplástico no organismo humano, segundo pesquisa da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). O estudo foi publicado nesta segunda-feira (15) e envolve mexilhões coletados no litoral do Rio de Janeiro.

A pesquisa avaliou se os mexilhões, que filtram água, distinguem microalgas de microplásticos. Os animais estavam em costões rochosos na beira do mar e foram divididos em grupos para receber soluções com microalgas, microplásticos ou a mistura de ambos.

Os resultados indicam que os mexilhões não apresentam seletividade entre partículas naturais e plásticas, filtrando tudo indiscriminadamente. Na condição com mistura, restaram quase metade das microalgas e das esferas plásticas, respectivamente.

Metodologia e amostra

A coleta ocorreu na Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro, onde foi utilizada a espécie mexilhão marrom Perna perna. Os animais foram levados a um laboratório da universidade para simular diferentes ambientes.

Os mexilhões foram expostos a três cenários de água e observados após uma hora de filtração. A pesquisadora Raquel de Almeida Ferrando Neves explicou que os moluscos não mostraram percepção entre alimento natural e plástico.

Implicações para a saúde pública

Microplásticos são fragmentos que, ao se degradarem, permanecem na água, no solo e no ar. Eles podem carregar contaminantes que se fixam na superfície de partículas, representando risco à saúde humana devido à ingestão por meio da alimentação.

Especialistas de saúde destacam que o cozimento não elimina contaminantes presentes nesses materiais. A presença de microplásticos em alimentos de origem marinha já é tema de estudo em diferentes regiões.

Desdobramentos e medidas propostas

Os pesquisadores defendem ações para reduzir poluição nas fontes e restringir a circulação de plásticos descartáveis. Recomenda-se monitoramento contínuo de áreas de maricultura para assegurar segurança alimentar e financeira da cadeia de frutos do mar.

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