O déficit de saneamento básico segue como tema central da agenda pública. O Brasil registra mais de 32 milhões de pessoas sem água potável e mais de 90 milhões sem coleta ou tratamento de esgoto, segundo dados do SNIS. A deficiência afeta saúde e desenvolvimento social.
Essa realidade impacta diretamente a qualidade de vida e o desempenho escolar, além de elevar custos para o sistema de saúde. Estudos associam a falta de saneamento a mortes, doenças de veiculação hídrica e menor produtividade da população.
A mobilização para ampliar o acesso ganhou impulso com o Novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece metas de universalização e exigências de infraestrutura e investimentos. A implementação, porém, depende do envolvimento de diversos setores.
Para ampliar o diálogo, o Instituto Aegea criou a plataforma Saneamento Salva, reunindo informações, estudos e lideranças. O objetivo é discutir caminhos práticos para ampliar água tratada e esgoto em todo o país.
Os encontros começaram em abril, em Manaus e Belém, e seguiram em maio pelo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em junho, as discussões chegaram a Teresina, Rondônia e Espírito Santo, com participação de gestores, profissionais de saúde e comunidade.
No encontro de Teresina, o médico Drauzio Varella destacou impactos da indisponibilidade de saneamento na saúde pública. Ele lembrou que verminoses e infecções gastrointestinais ainda afetam principalmente crianças.
Varella ressaltou que os benefícios aparecem já nos primeiros investimentos, ao modular indicadores de saúde. Já Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, disse que a universalização exige participação social e disseminação de informações.
Estudos do setor indicam que a ausência de saneamento está ligada a maior incidência de doenças de veiculação hídrica, além de prejudicar desempenho escolar e produtividade. 2024 registrou cerca de 344 mil internações por doenças relacionadas à água.
O estudo Trata Brasil de 2024 aponta que a falta de infraestrutura afeta principalmente mulheres, crianças em áreas vulneráveis e comunidades pretas, pardas e indígenas. Crianças até 4 anos e idosos representam parcela significativa dessas internações.
Édison Carlos encerra enfatizando que o debate ocorre em um momento de avanço das metas de universalização. A ampliação do acesso à água e ao esgoto é apresentada como ferramenta para reduzir desigualdades históricas.
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