O uso constante de inteligência artificial para resolver dúvidas está ganhando espaço em escolas e no ambiente de trabalho. Neuropsicóloga aponta que, se a IA substitui o esforço de pensar, pode afetar memória, criatividade e pensamento crítico. A líder do estudo é Juliana Gebrim.
A pesquisadora afirma que o problema não é a IA em si, mas o papel que ela assume. Quando a tecnologia passa a dominar o raciocínio, algumas funções cognitivas podem ficar menos exercitadas, segundo a especialista.
A autora explica que o cérebro se desenvolve ao analisar informações, questionar hipóteses e buscar soluções. O uso excessivo de respostas prontas reduz a prática dessas etapas e a diversidade de perspectivas.
A criatividade é destacada como área mais sensível. A substituição de perguntas por soluções automáticas tende a padronizar respostas e diminuir a originalidade, afirma Gebrim.
Atenção, memória e planejamento aparecem entre as funções mais expostas ao desgaste. O erro como ferramenta de aprendizagem é enfatizado como elemento central na consolidação de conhecimento.
Apesar dos riscos, a psicóloga não recomenda abandonar a IA. Em vez disso, sugere usar a tecnologia como apoio, manter a escrita autoral e buscar fontes diversas para comparar informações.
Impactos por faixa etária
Crianças e adolescentes são considerados o grupo mais vulnerável devido ao desenvolvimento do córtex pré-frontal. Supervisão adulta é recomendada para evitar que a IA substitua experiências de aprendizagem.
Sinais de alerta
Entre os sinais de perda de pensamento crítico, Gebrim cita aceitação cega de informações, dificuldade em sustentar opiniões próprias e uso automático da IA para qualquer dúvida.
Estratégias de uso responsável
A especialista propõe resolver problemas sozinho antes de consultar a IA, questionar respostas, manter leitura e debate, e preservar hábitos de leitura, discussão e atividades offline.
O estudo busca alertar sobre a necessidade de equilíbrio entre tecnologia e esforço humano para manter a qualidade do pensamento, da memória e da curiosidade ao longo da vida. Fonte: entrevista com a neuropsicóloga Juliana Gebrim.
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