A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos reabre neste sábado, 27 de junho, em São Paulo, na Liberdade, após restauração que preserva o patrimônio histórico e dá continuidade a pesquisas arqueológicas. O templo, uma das construções religiosas mais antigas da cidade, volta ao atendimento ao público com uma missa às 10h e celebra os 247 anos da edificação.
A reabertura ocorre no contexto de descobertas de restos humanos associados a um antigo cemitério aberto do século XVIII. O local, ligado ao Largo da Forca e aos escravizados, indígenas, indigentes e condenados, volta a funcionar para atividades religiosas e de memória. Obras mantiveram o espírito do espaço, preservando sua função histórica.
Restauro e acessibilidade
As obras, iniciadas em abril de 2025, tiveram investimento superior a R$ 3,2 milhões. Foram adotadas medidas para modernização, acessibilidade e conservação, incluindo iluminação, fachada renovada, velário reconstruído e consolidação de estruturas em taipa de pilão.
Bancos, telhado e sacristia passaram por restaurações. Um espaço de sepultamento de remanescentes humanos foi criado para abrigar os achados arqueológicos. O relógio perdido na década de 1950 será devolvido à capela, que passa a oferecer mapas, piso tátil, áudio e Libras para acessibilidade.
Origens e patrimônio
Em 2024, aporte de R$ 2 milhões via edital Proac apoiou a obra, com a Carollo Arquitetura e Restauro à frente, em parceria com a Unamca. Em 2025, a Prefeitura de São Paulo liberou mais R$ 1,2 milhão à Mitra Arquidiocesana de São Paulo, proprietária da capela.
O local já havia passado por intervenções amplas ao longo do tempo, incluindo grandes reformas em 1890 e 1960, além de restauros após incêndio em 1994. A construção ao lado, concluída parcialmente e depois interrompida, motivou novo processo de ressignificação da área.
Memória e desdobramentos
A capela também ganhará o Memorial dos Aflitos para preservar a história do bairro. Em novembro, durante o mês da consciência negra, deve ser lançado um livro sobre as escavações e educação patrimonial associadas ao sítio. As escavações continuam a esclarecer o passado de escravização e resistência na região.
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