Quem fabrica o passado controla o presente. A inteligência artificial rompeu a ligação entre imagem e realidade e transforma a memória coletiva em campo de disputa. O tema ganha relevância ao longo de uma história que atravessa séculos de evolução visual.
A fotografia, desde o século XIX, mudou o modo de registrar o real. E o celular ampliou esse alcance, tornando cada pessoa responsável por documentar momentos históricos. Hoje, a IA permite criar imagens que não nasceram do mundo visível.
No entanto, a fronteira entre o que é autêntico e o que é fabricado se tornou menos nítida. Softwares de edição evoluíram para além da manipulação, chegando ao zero de criação. Surge, assim, um ecossistema em que a imagem pode existir sem qualquer momento real.
TEMA URGENTE
Em 2002, a primeira loja da Apple no Soho, em Nova York, indicava uma mudança no varejo. Há duas semanas, a exposição Strange Rules, em Veneza, reforçou a ideia de ruptura entre tecnologia e imaginação coletiva. O tema é apresentado como urgente.
A discussão não é apenas estética. Em março de 2022, um deepfake de Volodymyr Zelenskiy circulou pedindo aos soldados que depusessem as armas. A guerra real e a imagem falsa coexistiram, com consequências mortais.
O que resta é compreender quem decide o que parece ter acontecido. Para quem as imagens se destinam? Qual é a responsabilidade de quem as divulga? Essas perguntas definem o nosso futuro, diante de imagens sem origem verificável.
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