As usinas hidrelétricas reversíveis ganham força no Brasil, funcionando como baterias hidráulicas de longo prazo. Em períodos de excesso de geração, a água é bombeada para um reservatório superior; na demanda, desce pelas turbinas para gerar energia. Diferem das hidrelétricas convencionais por priorizarem o armazenamento.
A regulamentação atual, aprovada pela ANEEL em 2 de junho de 2026, e a Resolução CNPE 8/2026, abrem caminho para contratos por leilões e outros mecanismos competitivos. O objetivo é armazenar excedentes de energia renovável e aumentar a segurança do SIN nos horários de maior pressão na rede.
A expansão de solar e eólica muda a operação do sistema elétrico, com momentos de alta geração e baixo consumo seguidos por maior demanda. Esse padrão, conhecido como rampa do pôr do sol, eleva a necessidade de recursos despacháveis.
Regulação e modelo econômico
Especialista em regulação do setor aponta que a nova regulação não elimina a cobrança pelo uso da rede para todo tipo de armazenamento. A ANEEL definiu uma solução intermediária: usinas autônomas sob controle do ONS podem ter tratamento diferente na cobrança de encargos, enquanto operações livres seguem regras gerais. O ajuste busca evitar distorções econômicas.
Benefícios para o sistema e para o consumidor
Executivo sênior ressalta que as reversíveis ajudam a reduzir cortes de geração renovável, diminuir o acionamento de termelétricas caras e aumentar a confiabilidade da transmissão. Para o consumidor, o benefício é potencialmente a contenção de custos sistêmicos e menor exposição a despachos emergenciais, desde que os projetos sejam competitivos em leilões.
A tecnologia pode complementar baterias químicas, responder rapidamente à demanda e ampliar a transmissão. Diferentemente das baterias, as reversíveis demandam planejamento, licenciamento e obras, mas oferecem armazenamento por várias horas e serviços eletromecânicos para a estabilidade da rede.
Riscos, mitigação e limites
Especialistas destacam custos e impactos ambientais como fatores críticos para a viabilidade. O licenciamento deve avaliar uso do solo, ecossistemas, paisagem e recursos hídricos, com mitigação centrada em ciclos fechados, reservatórios fora de rios e reaproveitamento de áreas degradadas. A consulta pública e a transparência são apontadas como medidas importantes.
Gêmeos digitais como plataforma de decisão
Além dos desafios regulatórios e ambientais, a operação ótima exige ferramentas digitais capazes de simular bombeamento, geração e resposta à rede antes da entrada em operação. Um ambiente digital adequado pode antecipar transientes, apoiar a manutenção preditiva e treinar estratégias de controle, influenciando a confiabilidade e a vida útil das usinas.
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