Dois pesquisadores sul-africanos anunciaram a identificação de quatro novas espécies de camaleão do gênero Nadzikambia, em florestas de montanha de Moçambique, conhecidas como ilhas do céu. A descoberta ocorreu após anos de coleta em habitats de difícil acesso, com confirmação via análise genética e morfológica.
As espécies, ainda sem diferenciação externa clara, foram separadas por variações genéticas significativas entre 46 amostras analisadas, provenientes de museus na África do Sul e na Inglaterra. O estudo confirmou que o isolamento geográfico de cada montanha favoreceu a divergência ao longo de milhões de anos.
Entre as novas espécies, estão Nadzikambia franklinae, em homenagem à química Rosalind Franklin; N. goodallae, em memória da primatóloga Jane Goodall; N. evanescens, cujo nome alude ao estado de ameaça; e N. nubila, que remete às montanhas nebulosas onde habitam. O artigo foi publicado em Vertebrate Zoology, em abril, pelos autores Krystal Tolley e Werner Conradie.
Detalhes da descoberta
O gênero Nadzikambia, popularmente conhecido como camaleão-selvagem, registra comportamento arborícola, com predomínio na copa das árvores em busca de insetos. A morfologia externa é pouco reveladora, o que exigiu uso de DNA para distinguir as espécies.
Os autores destacam que a separação geográfica entre as montanhas, separadas por savanas e climas mais secos, impediu o fluxo gênico entre populações ao longo de milhões de anos. A partir disso, foi possível estabelecer as quatro novas espécies.
Conservação e contexto ambiental aparecem como pontos centrais do estudo. A produção de novas espécies coincide com a necessidade de proteger ecossistemas montanhosos de Moçambique, onde o desmatamento representa risco à continuidade das populações de Nadzikambia.
Os pesquisadores ressaltaram a importância de ativismo ambiental para preservar essas florestas remotas. Eles observam que a destruição de habitats pode levar à extinção de espécies recém-descritas, mesmo antes de serem amplamente estudadas.
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