A maternidade redefine planos e rotinas de seis mulheres que atuam na alta gastronomia, produção de doces e gestão de restaurantes. O impacto vai além da agenda: influencia liderança, criação de menu e distribuição de tarefas. O tema surge em meio a dados sobre desigualdade no setor.
Apesar de avanços, a presença feminina em cargos de liderança permanece abaixo do que seria ideal. Na hospitalidade, as mulheres representam mais da metade da força de trabalho, segundo organizações setoriais, mas seguem sub-representadas em posições-chave. Na gastronomia de alto padrão, a participação feminina é menor ainda.
A maternidade é apontada como ponto de inflexão para quem comanda cozinhas, equipes e negócios. Estudos indicam que mulheres encerram negócios por motivos familiares com mais frequência que homens, destacando o peso do cuidado na carreira. A seguir, relatos de profissionais que conciliam maternidade e trabalho.
Manu Buffara, Manu Restaurante
Mãe de Helena e Maria, Buffara diz que a maternidade redesenhou prioridades e a própria cozinha. A cozinha ganhou maior honestidade e propósito, com foco naquilo que realmente importa. A chef também ampliou seu senso de responsabilidade social, desenvolvendo projetos educativos.
Além do livro com receitas para crianças, a chef executa iniciativas em escolas públicas do Paraná para ampliar o acesso à informação sobre alimentação. A organização do tempo entre maternidade, carreira e projetos paralelos exige disciplina, mas a clareza sobre prioridades aparece com mais força hoje.
Isabel Hagi, Hagi Torrones & Chocolates
Isabel Hagi afirma que o tempo ficou mais curto após o nascimento da filha Aurora. As decisões passaram a ser mais diretas, com foco no que é essencial. A mãe destaca a importância de manter equilíbrio interno para administrar o trabalho e a casa.
O retorno ao trabalho, após o puerpério, ajudou a reconectar a identidade além da maternidade. A convivência com a tia e a participação da filha no dia a dia da fábrica aparecem como apoio importante nesse período de transição.
Helena Rizzo, Maní
Rizzo diz ter recalculado a dinâmica de trabalho ao tornar-se mãe. A profissional destaca maior objetividade nas escolhas e nas decisões, além de cuidar melhor da própria saúde para manter equilíbrio nas frentes de atuação.
Gisela Schmitt, Gastromar
Schmitt ressalta a necessidade de gerenciar tempo e equipes com mais clareza e objetividade. A maternidade trouxe sensibilidade para diferentes realidades, ajudando a criar processos mais eficientes.
Segundo a chef, o ambiente de trabalho funciona como uma grande família. A experiência inspira uma liderança que busca equilíbrio entre presença pessoal e profissional, elevando a qualidade do que é entregue.
Marie France, La Casserole
Ao assumir o La Casserole ainda grávida, Marie France vivenciou a convivência entre a gestão do restaurante e a criação do filho. A solução envolveu apoio da rede próxima e da parceria com o então marido. Hoje, com outro filho, dirige o espaço ao lado do filho mais novo.
A narrativa aponta que é possível manter o negócio ativo durante a maternidade, desde que haja rede de suporte. A liderança recebeu novos contornos ao longo do tempo, integrando vida pessoal e profissional.
Olivia Maita, Oli Pizzas Artesanais
Mãe de Vitório, Olivia passou pela mudança de cidade da operação, transferindo parte da produção para um novo endereço. A experiência exigiu delegação e organização da gestão, com foco em manter a qualidade.
Com a Oli Pane, padaria associada, a empresária reforça a necessidade de estruturas sólidas. Hoje, a gestão prioriza foco estratégico e equilíbrio entre trabalho e família, com expectativa de uma segunda fase mais estável.
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