Miriam Lifchitz Moreira Leite completaria 100 anos no dia 17 de maio. Pesquisadora importante na área de memória e imagem, sua trajetória deixa marcas ainda hoje no estudo da antropologia visual e da história das mulheres.
Conheci Miriam em 1993, durante a disciplina de Antropologia Visual na USP. O tema de pesquisa foi a fotografia de família, e esse encontro cruzou a vida acadêmica com a pessoal. Na época, eu esperava meu segundo filho.
Ela recebia os colegas com delicadeza e compartilhava fichas de leitura, anotações que revelavam um gesto artesanal de transmissão do saber. Formada em Ciências Sociais e História pela USP, realizou pós-doutorado na Eastman Foundation/Kodak.
Foi uma das fundadoras do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher, em 1985, e, desde 1998, participava do Grupo de Antropologia Visual da USP, sob a coordenação de Sylvia Caiuby Novaes.
Entre os legados, destaca-se o clássico Retratos de Família, que analisa fotos de imigrantes em São Paulo entre 1890 e 1930. A obra revela como imagens eram feitas, guardadas e temas recorrentes como casamento e maternidade.
A autora recebeu o Prêmio Jabuti por essa obra, além de textos sobre viajantes do século 19. Miriam defendia que a fotografia não fala por si só, exigindo que os fotografados expressem identidade, contexto e recursos da época.
Em breve, a Edusp lançará A imagem mental e fotográfica da mulher a partir do século 19, organizado pela própria Miriam e finalizado com a ajuda de seu filho, Rui Moreira Leite. O livro compila textos sobre Epistemologia da Imagem e História das Mulheres.
O último livro da pesquisadora foi Roteiros inconscientes, com contos que embasaram produções audiovisuais, como o documentário Trajetória de Miriam Moreira Leite.
Para muitos, Miriam foi uma das feministas mais brilhantes, cujos temas sobre memória, gênero e representação permanecem relevantes para jovens pesquisadoras. O legado pedagógico inspira contínua reflexão acadêmica.
Ler a obra de Miriam Moreira Leite reaviva memórias de várias gerações de pesquisadoras e das próprias trajetórias afetivas de quem a acompanhou ao longo dos anos.
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