O chef Alain Poletto, dono do Bistrot de Paris, revela como a charcutaria molda sua cozinha ao valorizar o tempo. Do sudeste da França ao Brasil, ele mantém viva a tradição de embutidos que passam por maturação controlada, definindo sabores e texturas. O relato acompanha técnicas herdadas da avó Sylvie.
Poletto faz questão de manter parte do processo fora de linha de produção rápida. Em seu restaurante, peças podem maturar de semanas a mais de um ano, com câmaras próprias para controlar umidade e temperatura. Segundo o chef, isso faz toda a diferença no resultado final.
A origem da prática, contada pelo chef, vem de Thonon-les-Bains, na região de Haute-Savoie. Lá, a família aprendia a transformar o porco inteiro em embutidos, aproveitando cada parte e valorizando o tempo de cura como ingrediente essencial.
Entre os itens da charcutaria do Bistrot de Paris aparecem pâté en croûte, saucisson, merguez, coppa, jambon cru, guanciale, lard e mortadelle. Poletto explica que a qualidade começa na escolha de fornecedores e na observação do manejo dos animais.
O tempo de maturação pode reduzir o peso da peça em até 50%, concentrando sabores. Peças com 16 a 18 meses de maturação chegam a custar mais pelo cuidado exigido. Micro-organismos benignos ajudam a desenvolver aromas únicos.
O preparo artesanal contrasta com a indústria rápida: Poletto destaca a redução de aditivos e sal excessivo na charcutaria artesanal. Ele também acompanha pessoalmente o corte final, buscando transparência na origem dos ingredientes e no método de defumação e cura.
Entre na conversa da comunidade