Nas últimas semanas, vídeos de mulheres que relatam cortes excessivos de cabelo durante a coleta para exames toxicológicos viralizaram nas redes sociais. Um dos casos é o de Ana Karolina Paredes, de João Pessoa (PB), que contou ao Portal Tela ter tido uma quantidade de cabelo maior do que a necessária retirada durante o procedimento. Segundo ela, a situação provocou impactos físicos e emocionais, incluindo dor, queda da autoestima, crises de ansiedade e vergonha de sair de casa. Dois vídeos publicados por Ana sobre o caso somam cerca de 1,4 milhão de visualizações no Instagram.
Ana afirma que, antes da coleta, perguntou à técnica se seriam retirados apenas 3 centímetros de cabelo, quantidade que, segundo ela, havia sido informada como suficiente. Porém, relata que a coleta foi feita na raiz do couro cabeludo com gilete, lâmina e navalha. Ela diz ter percebido a dimensão do corte somente ao chegar em casa e se olhar no espelho. Após a repercussão nas redes, segundo Ana, a clínica entrou em contato para tentar reparar os danos. A mulher afirma ainda que pretende buscar medidas judiciais pelo que considera prejuízos estéticos e psicológicos.
A especialista Patrícia Resta, que atua na coleta de exames toxicológicos em São Paulo, explica que normalmente é necessária uma quantidade pequena de cabelo para a análise e a contraprova. Segundo ela, a amostra equivale aproximadamente à espessura da carga de uma caneta Bic e deve ser retirada horizontalmente com tesoura. Em alguns casos, pode ser necessário um pouco mais de material quando o cabelo é muito fino, curto ou pouco volumoso, mas isso não significa que uma grande mecha precise ser retirada ou que uma falha visível seja deixada no couro cabeludo. “Retirar cabelo a mais não vai deixar o exame mais confiável”, afirma.
Patrícia também destaca que o paciente deve ser informado sobre como será feita a coleta e acompanhar o acondicionamento da amostra, que deve ser identificada e lacrada diante do doador. Em caso de corte considerado excessivo, a orientação é fotografar o resultado, guardar o comprovante do exame e procurar a clínica e o laboratório responsáveis. A especialista também recomenda pesquisar o estabelecimento, verificar se é credenciado e perguntar previamente de onde o cabelo será retirado e como o procedimento será realizado.
O exame toxicológico de larga janela de detecção é exigido desde 2015 para motoristas profissionais das categorias C, D e E, como parte das medidas voltadas à segurança no trânsito. Em 2025, a Lei nº 15.153 incluiu a exigência para candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B, que abrangem motocicletas e automóveis. A implementação para essas categorias, porém, ainda está em avaliação pelo Ministério dos Transportes. Enquanto não houver conclusão dos estudos e norma complementar do Contran, a orientação aos Detrans é não exigir o exame na primeira habilitação de A e B.
Nas últimas semanas, vídeos de mulheres denunciando cortes excessivos de cabelo durante a coleta para exames toxicológicos viralizaram nas redes sociais. Um desses casos é o de Ana Karolina Paredes, de João Pessoa (PB), que afirma ao Portal Tela que teve uma quantidade de cabelo maior do que a necessária retirada durante a coleta e que o procedimento provocou impactos físicos e emocionais.
Ana fez o exame em uma clínica particular da cidade e pagou R$ 100. Ela conta que, antes da coleta, perguntou à profissional se seriam retirados apenas os 3 centímetros de cabelo necessários para o exame. Segundo ela, a técnica confirmou que retiraria somente a quantidade prevista na lei.
De acordo com Ana, porém, a coleta foi feita na raiz do couro cabeludo e envolveu instrumentos como gilete, lâmina e navalha. “A coleta foi retirada da raiz do couro cabeludo, doeu muito”, diz.
Ela só percebeu o que tinha acontecido quando chegou em casa e olhou os fios no espelho. No entanto, no momento do exame, ela lembra de ter flagrado a profissional preocupada com a situação. “Elas me disseram assim: ‘Estou até com pena de tirar seu cabelo. Ele é tão lindo. Estou me sentindo mal por você’. Foi a única palavra que a técnica deu”, conta.
Impactos muito além da aparência física
Para Ana, o episódio teve consequências que foram além da alteração estética. Ela afirma que passou a enfrentar crises de ansiedade após o episódio.
“Me impactou demais, tanto psicológico como físico. Minha autoestima caiu. Me deu crises de ansiedade. Fiquei até com vergonha de sair de casa”, afirma.
A mulher diz ainda que procurou a clínica e informou que pretendia entrar na justiça sobre o caso. Somente após a repercussão do caso, a clínica procurou Ana para tentar reparar os danos causados. Até hoje, no entanto, a funcionária que fez a coleta do cabelo não pediu desculpas pelo ocorrido.
Juntos, os dois vídeos publicados por Ana no Instagram somam cerca de 1,4 milhão de visualizações. “Publiquei com o intuito de que outras mulheres não passem pela mesma maldade que eu passei”, afirmou. A repercussão levantou dúvidas sobre a forma correta de realização do procedimento.
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Quanto cabelo é necessário para fazer o exame toxicológico?
Apesar do caso relatado por Ana, a quantidade de cabelo necessária para o exame não é grande. A explicação é de Patrícia Resta, profissional especialista que atua na coleta de exames toxicológicos em São Paulo.
Segundo ela, a amostra deve ser suficiente para a realização da análise e da contraprova, mas não é necessário retirar uma grande mecha de cabelo. “É uma quantidade pequena. Não precisa tirar aquele ‘tufo’ enorme que a gente vê em alguns vídeos”, explica.
Patrícia afirma que, normalmente, são feitas duas coletas, destinadas à prova e à contraprova. De acordo com ela, a quantidade equivale aproximadamente à espessura da carga de uma caneta Bic.
A especialista ressalta ainda que o corte deve ser feito de maneira horizontal, com tesoura. Segundo ela, instrumentos como navalha, lâmina ou máquina não devem ser utilizados nesse procedimento.
A quantidade pode variar de acordo com as características do cabelo. Patrícia explica que pode ser necessário retirar um pouco mais de material quando os fios são muito finos ou curtos, ou quando a pessoa tem pouca quantidade de cabelo. Isso, porém, não significa que seja necessário retirar uma grande mecha de um único ponto ou provocar uma falha visível.
“Pode acontecer de precisar retirar um pouco mais quando a pessoa tem o cabelo muito fino, muito curto ou pouca quantidade de fios. Mas isso não significa que seja necessário retirar uma mecha enorme de um único lugar ou deixar uma falha aparente”, completa.
Por isso, a avaliação antes da coleta é considerada importante para definir de onde e quanto material será retirado, ainda segundo a profissional. Além disso, a coleta pode ser de pelos da virilha, perna, braço, axila e costas. Mas a exigência é que tenha quantidade suficiente de uma bola de algodão e que tenha pelo menos um centímetro mínimo.

Arte gerada por inteligência artificial mostra a quantidade necessária para a coleta do exame toxicológico.
Paciente deve acompanhar a coleta
Patrícia também destaca que o paciente deve ser informado sobre o procedimento antes que ele seja realizado. Isso inclui explicar a finalidade do exame, o local de retirada do cabelo e como a amostra será acondicionada.
Após a coleta, segundo a profissional, o material deve ser colocado no envelope apropriado, identificado e lacrado diante do próprio doador. “Todo o cabelo coletado para o exame deve ser colocado no envelope apropriado, identificado e lacrado corretamente sempre na frente do doador. Eu acho muito importante que o paciente acompanhe esse processo”, diz.
A retirada de uma quantidade maior de cabelo, por si só, também não aumenta a confiabilidade do resultado.
“Retirar cabelo a mais não vai deixar o exame mais confiável. O importante é ter a quantidade adequada para que o laboratório consiga realizar a análise. (…) O exame toxicológico não veio para punir ninguém, e sim para fiscalizar e prevenir. Ele foi implementado principalmente para aumentar a segurança no trânsito”, destaca Patrícia.
Depois do envio da amostra, o material passa a ficar sob responsabilidade do laboratório, que segue seus procedimentos para análise, armazenamento e eventual contraprova.
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O que fazer em caso de coleta excessiva? Como evitar essa situação?
Para a especialista, pessoas que considerarem que houve excesso na coleta devem fazer como Ana Karolina e registrar o ocorrido e procurar esclarecimentos.
“Se a pessoa perceber que houve uma coleta excessiva ou que ficou alguma falha no cabelo, eu aconselho fotografar, guardar o comprovante do exame e procurar a clínica e o laboratório responsável para pedir esclarecimentos”, orienta.
Caso o paciente entenda que houve dano, também pode buscar orientação jurídica para avaliar quais medidas podem ser tomadas. A especialista recomenda que o paciente pesquise previamente o local onde fará o exame, verifique se a clínica é credenciada e converse com o profissional antes da coleta.
“Pergunte de onde ele vai retirar o cabelo e como será feito. E principalmente: não tenha vergonha de perguntar, informação faz toda diferença”, diz.
Segundo Patrícia, uma coleta adequada deve buscar a quantidade necessária para a análise sem provocar alterações desnecessárias na aparência do paciente. “O exame toxicológico não precisa deixar buraco, falha ou causar um transtorno enorme para a pessoa. Com avaliação, cuidado e uma coleta bem feita, dá para conseguir a quantidade necessária e preservar o cabelo ao máximo”, finaliza.
Exigência do exame toxicológico
O exame toxicológico de larga janela de detecção já é exigido desde 2015 para motoristas profissionais que conduzem veículos das categorias C, D e E. A exigência está relacionada à tentativa de identificar o consumo de determinadas substâncias psicoativas em período anterior ao exame e aumentar a segurança no trânsito.
A legislação passou por uma nova mudança em 2025. A Lei nº 15.153, de 26 de junho daquele ano, alterou o Código de Trânsito Brasileiro e incluiu a exigência do exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A (moto) e B (carro), que abrangem motocicletas e automóveis.
Embora a regulamentação específica do Contran ainda esteja em processo de implementação, a Senatran orientou os Detrans a exigir o exame toxicológico de resultado negativo para candidatos à primeira habilitação.
Em São Paulo, a exigência vale para processos iniciados a partir de 17 de junho e o exame deve ser realizado em laboratório credenciado pela Senatran. Para renovar a CNH, o exame não é exigido.
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