O economista Gabriel Chodorow-Reich, professor de Harvard, afirma que, conforme os países ficam mais ricos, as horas trabalhadas tendem a diminuir. Ele mostrou esse posicionamento durante entrevista à Folha, em visita ao Brasil, pela primeira vez, antes de palestra na conferência anual do Banco Central realizada no dia 14.
Na avaliação dele, o Brasil tem interesse legítimo em discutir a redução da jornada de trabalho, sobretudo em um momento de melhora macroeconômica. A ideia é inserir no debate alternativas mais flexíveis para trabalhadores e empresas, além da proposta de fim da escala 6×1.
Durante a conversa, o pesquisador destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro em contextos de juros elevados e alertou para impactos do choque de preços de energia provocados pelo conflito no Oriente Médio. Também mencionou a cautela com cortes de juros.
O governo discute a proposta de 5×2, com queda de 44 para 40 horas semanais sem alterar salários. Segundo Chodorow-Reich, a medida costuma ser popular eleitoralmente, mas pode enfrentar resistência de empresas diante de custos adicionais.
Ele ponderou sobre possíveis impactos na produtividade: ganhos são possíveis se a redução não comprometer tarefas cruciais, mas há risco de queda se a atividade exigir continuidade. O efeito líquido dependerá do setor e da natureza do trabalho.
Para evitar aumento da informalidade sem ganhos de produtividade, o economista sugeriu cautela: elevação de custos pode pressionar margens, preços e inflação, ou levar demissões. Em alternativa, apontou fórmulas mais flexíveis que preservem salário.
Entre as opções, citou acordos entre trabalhadores e empresas para manter a carga horária atual com um dia a mais, caso desejem, combinando flexibilidade com remuneração estável. A ideia é equilibrar ganhos reais e competitividade.
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