Siri Hustvedt lança Ghost Stories, memoir que revela o que significa perder o parceiro de mais de quatro décadas, Paul Auster, em 2024, após o câncer. A obra revisita a relação de décadas do casal, marcada pela leitura, pela escrita compartilhada e por uma coautoria literária constante.
A narrativa descreve encontros, leituras e a construção de uma parceria intelectual intensa. Hustvedt recorda encontros amorosos, debates sobre we e I e o peso de dividir trabalhos literários. A percepção de identidade se transforma após a morte do marido.
O livro registra a transição de pronomes: de nosso para meu. A autora descreve como o luto altera a cotidiano, a percepção de casa, objetos e espaços que lembram Auster. Memórias físicas e afetivas são descritas com fragmentos curtos que simulam o impacto do choque emocional.
Ghost Stories apresenta uma leitura fragmentada do luto, com passagens que vão de memórias a reflexões sobre figures da filosofia, incluindo Kierkegaard e Merleau-Ponty. A obra também aborda a vida acadêmica de Hustvedt, ligada à psychiatry e à psicologia.
Entre perdas familiares, a autora cita ainda tragédias recentes: a morte de familiares de Auster e episódios de dependência que permeiam a história familiar. O texto alterna entre relatos íntimos e referências históricas, mantendo o tom factual.
A crítica aponta que o livro equilibra dor e humor negro diante do câncer avançado de Auster, incluindo episódios de tratamento médico e momentos de ironia sobre organização de livros. O conjunto reforça o caráter de pesquisa sobre quem ficou e quem foi.
Por fim, Ghost Stories é apresentado como um retrato de luto que articula a ausência com a permanência da influência intelectual. A obra dialoga com a própria carreira de Hustvedt e com temas de perda, memória e conjunção entre vida pessoal e produção criativa.
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