Gerardo Mello Mourão, visto por Alexandre Sugamosto como o “J.R.R. Tolkien brasileiro”, ganha nova leitura com o livro Apolo Cantador de Feira, publicado pela editora Sator. A obra analisa a vida, obra e visão de mundo do poeta.
Sugamosto apresenta Mourão por meio da trilogia Os Peãs, iniciada em 1963 com O País dos Mourões, segue com Peripécias de Gerardo (1972) e encerra com Rastro de Apolo (1977). O texto propõe uma leitura mitopoética do autor.
O livro também detalha o método mitocrítico utilizado pelo pesquisador para analisar mitopoemas, conectando Mourão a Tolkien pela construção de mundos apoiados em mito e poesia.
A obra destaca que Mourão recebeu o Prêmio Jabuti em 1999 e foi indicado ao Nobel em 1979, além de ter recebido elogios de poetas como Drummond, Ezra Pound e Robert Graves. Ainda assim, permanece pouco conhecido no meio literário.
Sugamosto argumenta que o apagamento de Mourão pode ter múltiplas causas. Entre elas, a afinidade de Mourão com a Ação Integralista no fim dos anos 1930, sua prisão no Estado Novo e suspeitas de envolvimento com a Alemanha nazista, e um estilo poético críptico.
Outra hipótese aponta para o perfil de poeta para poetas, com fama de difícil acesso, o que dificultaria a divulgação de sua obra em determinados contextos culturais brasileiros.
O apresentador da obra, José Francisco Botelho, sugere ainda que parte do apagamento pode residir em resistências a expandir o universo literário nacional para além de um enquadramento estritamente nacional, explica Sugamosto.
Apolo Cantador de Feira, segundo a análise, resgata Mourão do anonimato e se configura como referência crítica sobre o poeta, ao mesmo tempo em que oferece uma leitura que facilita o entendimento de Os Peãs.
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