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Editora rompe com autor por uso de IA; novo prêmio aceita a tecnologia

Thélyson Orélien negou recorrer à inteligência artificial para escrever livro; Prix Pascal aceitará ficção inédita em francês até 30 de novembro

Livro C'était ça ou mourir
Polêmica sobre uso de IA no livro "C'était ça ou mourir" começou em rede social (Créditos: Divulgação)

Nesta quarta-feira (21), a editora canadense Boréal encerrou sua parceria com o escritor Thélyson Orélien, após confirmar que ele utilizou IA  para escrever seu romance mais recente, apesar de ele ter negado isso diversas vezes.

O escritor haitiano-canadense é autor de “C’était ça ou mourir”, romance em francês sobre migração que alcançou grande sucesso comercial e seria vendido em mais de 20 países. A obra ainda não tem edição em português.

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“Novos elementos, confirmados nos últimos dias, indicam que a inteligência artificial foi utilizada no processo de escrita de ‘C’était ça ou mourir’, embora o autor tenha nos assegurado repetidamente que nunca havia recorrido a ela para criar seu romance”, informou a editora Les Éditions du Boréal em comunicado.

A editora anunciou o encerramento de sua relação profissional com Orélien.

O anúncio ocorre apenas uma semana depois de a empresa ter manifestado publicamente seu apoio ao escritor.

Caso começou em rede social

A polêmica começou após acusações feitas pelo perfil Balance ton Claude, na rede social X, que afirmou ter identificado o uso extensivo de IA no romance de Orélien.

Diante das dúvidas levantadas pelo caso e após Orélien anunciar que não forneceria mais informações, a editora afirmou ter encomendado “uma análise externa exaustiva” de “todas as versões de trabalho do romance”.

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“Os resultados obtidos nesta semana revelaram vestígios de marcadores de inteligência artificial nos metadados de alguns documentos”, acrescentou. “Continuamos sem saber até que ponto a IA foi utilizada na criação de ‘C’était ça ou mourir’, e provavelmente nunca teremos uma resposta definitiva a esse respeito”, reconheceu a editora.

No entanto, ressaltou que “a questão fundamental para nós é a confiança entre autores e editores”.

“C’était ça ou mourir” foi retirado da lista de finalistas do Prêmio Goncourt, o mais prestigioso da França, depois que análises realizadas com o detector de IA Pangram apontaram uma probabilidade de 100% de que a obra contivesse texto gerado por computador.

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Prêmio literário para obras feitas com IA

No mesmo dia do anúncio, três empresários do setor de tecnologia na França anunciaram o lançamento do que afirmam ser o primeiro prêmio literário destinado a livros escritos com inteligência artificial.

Batizado de “Prix Pascal” (Prêmio Pascal), o concurso ainda não possui um júri definido nem anunciou o valor da premiação. A iniciativa pretende desafiar outros prêmios literários, que enfrentam dificuldades para regulamentar o uso da inteligência artificial por escritores.

“O prêmio está aberto a qualquer pessoa que escreva em francês, em qualquer lugar do mundo francófono, sem exigência de nacionalidade ou residência e sem a necessidade de uma editora”, afirmaram os três empresários, Philippe Rodriguez, Albin Serviant e Gilles Mentre, em comunicado enviado à AFP. “O que importa é apenas a obra em si: um trabalho de ficção inédito, em francês, escrito em colaboração com uma inteligência artificial, que ouse fazer algo que nunca tenha sido lido antes”, acrescentaram.

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As inscrições para a primeira edição do Prix Pascal serão aceitas até 30 de novembro, e a entrega do prêmio está prevista para meados de dezembro, segundo os organizadores.

(Com informações da AFP)

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