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James Ellroy critica a dependência de pessoas em computadores

James Ellroy critica a dependência de computadores e estreia Red Sheet, romance que mescla verossimilitude histórica com crítica à Hollywood anticomunista

‘I feel good about people. I get an obscure kick out of a great many people and our diverse range of people’ … James Ellroy
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  • James Ellroy, de 78 anos, lança o 18º romance, Red Sheet, anunciado para publicação em 9 de junho, com processo de escrita que envolve envio de páginas por um casal aposentado do FBI na França e um pesquisador que resume livros.
  • Red Sheet é ambientado em outubro de 1962, no contexto da crise dos mísseis de Cuba, com o procurador-geral temeroso de retaliação doméstica e uma pressão sobre a polícia de Los Angeles para lançar uma “red probe”.
  • O romance mescla eventos históricos com fantasia para buscar verdades sobre o período, incluindo menções a Richard Nixon, Tom Bradley, a Rumford Fair Housing Act, os assassinatos “Red Ripper” e um sindicato corrupto que atua como braço da sua agenda política.
  • Ellroy descreve a abordagem como “verossimilhança imprudente”, que busca combinar fatos com ficção para provocar uma visão mais profunda do tempo e do lugar.
  • O autor também critica publicamente a adaptação cinematográfica de LA Confidential (1997), chamando o filme de “turkey”, e comenta sobre sua visão de Chandler versus Hammett, além de relatar aspectos da sua vida pessoal e de sua relação com a internet e a tecnologia.

James Ellroy concedeu entrevista para falar de seu novo romance, Red Sheet, lançado em 9 de junho. O autor de LA Confidential vive em Denver, Colorado, e descreve o livro como uma investigação extensa ambientada em outubro de 1962, logo após a crise dos mísseis de Cuba.

O romance cruza fatos históricos com ficção para retratar Los Angeles sob uma ótica noir. O enredo envolve o then attorney general Robert F. Kennedy, o medo de uma reação interna de comunistas e a ordem de intensificar a fiscalização policial na cidade. Além disso, o livro aborda a campanha de Nixon, a corrida de Tom Bradley para a prefeitura e os chamados “Red Ripper” envolvendo violência e corrupção.

Ellroy comenta seu método, que chama de verossimilhança imprudente, combinando eventos reais com fantasias para expor verdades sobre a época. O protagonista é Freddy Otash, uma figura histórica, que no romance assume papel mais torturado e ligado ao movimento pelos direitos civis. Judy Henske aparece como interesse histórico do narrador.

O autor reforça sua visão crítica sobre a indústria do cinema de Hollywood e a adaptação de LA Confidential, lançada em 1997. Ele considera o filme excessivamente simples e sem foco narrativo claro, descrevendo-o de forma contundente. A obra que o consolidou assim é vista por ele como mais complexa que a película.

Ellroy escreve desde a adolescência, influenciado por suspense e crime, período que também moldou sua visão da cidade de Los Angeles. O autor relembra a própria juventude, a morte da mãe e o papel da leitura na formação de seu estilo, bem como o uso de referências ao cinema noir para compor a voz de seus personagens.

O escritor afirma manter a fé cristã como fonte de consolo e observa que a humanidade apresenta variações de culpa. Em tom mais leve, ele compartilha encontros com motoristas de táxi e situações cotidianas, sempre mantendo o equilíbrio entre crítica social e observação pessoal.

Red Sheet é apresentado como uma obra de pesquisa intensa, buscando revelar tempos turbulentos sem abrir mão da ficção. Ellroy adianta que continuará escrevendo e não planeja abandonar a escrita, mesmo com a aproximação dos 80 anos.

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