O livro Levante-se e Mate Primeiro, de Ronen Bergman, não é recente (2019) e tem mais de 800 páginas. Mesmo assim, foi recomendado por um amigo próximo e lido durante as férias.
A obra apresenta uma visão da história dos serviços secretos de Israel e discute dilemas morais sobre assassinatos seletivos. Perguntas centrais aparecem: é aceitável eliminar quem planeja ataques contra civis? e se a ação envolve civis inocentes?
Bergman, repórter investigativo, não entrega uma história oficial. Os serviços de inteligência dificultaram o acesso, mas o autor conseguiu entrevistas off the record com agentes de diferentes níveis e com políticos. Ele relata operações de sucesso e fracassos.
Entre os casos citados estão operações consagradas, como Entebbe em 1976, e falhas, como Lillehammer em 1973, quando agentes do Mossad atacaram um piscicultor confundido com um líder do Setembro Negro.
Desdobramentos
O texto ressalta a tendência de perder o controle: assassinatos seletivos deveriam evitar mortos civis e depender de aprovação direta do premiê. Em alguns momentos, a lógica funciona, em outros, ambiguidade é usada para avançar agendas sem supervisão.
A narrativa também mostra que, embora haja regras, a cultura institucional permite contestação entre militares. Em cinco ocasiões, a Força Aérea sabotou ordens para derrubar aviões em que Iasser Arafat viajava.
A realidade descrita aponta para um equilíbrio frágil entre segurança e ética. A opinião pública não é o foco do livro, que prioriza fatos e contextualização histórica, com base em documentos e depoimentos.
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