Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Livro reconstrói o terror de campo de concentração no Chile de Pinochet

Livro reconstrói Dawson como símbolo de violência estatal, unindo confinamento indígena no século XIX ao campo de concentração da ditadura de Pinochet

O escritor José Godoy, autor de 'A Ilha do Silêncio'
0:00
Carregando...
0:00

Dois episódios trágicos na história chilena, separados por quase um século, tiveram Dawson, ilha subantártica no estreito de Magalhães, como cenário. Primeiro, o confinamento de povos indígenas no fim do século 19; depois, a criação de um campo de concentração para opositores do regime de Pinochet, nos anos 1970. A ilha ficou sob controle da Marinha do Chile.

O livro A Ilha do Silêncio: Terror e Genocídio na Terra do Fogo, de José Godoy, reconstrói esses acontecimentos a partir de documentos e relatos. A obra resulta do doutorado em literatura do autor pela PUC-RJ e integra a trajetória de laços entre trauma, colonialismo e autoritarismo na região.

Na história antiga, indígenas selk’nam e kawésqar foram deslocados a partir de 1889 pela tutela de religiosos salesianos para uma missão na ilha Dawson, com o objetivo de catequizar e transformar em mão de obra para as estâncias da região. A tentativa culminou na morte por doenças trazidas pelos europeus, levando ao fechamento da missão em 1911.

Nos anos 1970, após o golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende, a ilha again aparece como espaço de contenção. O regime de Augusto Pinochet utilizou Dawson como campo de concentração, mantendo seus internos sob rígido controle. O acesso da imprensa e de pesquisadores tem sido historicamente restrito pela autoridade naval.

O texto de Godoy também revisita os registros de Charles Darwin sobre os povos da Terra do Fogo, destacando as primeiras noções usadas para justificar a ocupação. Imagens do etnólogo Martin Gusinde, que documentou rituais dos povos locais, aparecem como parte do arcabouço histórico analisado no livro.

Além disso, a obra destaca Miguel Lawner, arquiteto chileno e militante comunista que esteve entre os prisioneiros do campo pinochetista. Ao conseguir papel e lápis, Lawner produziu registros do cotidiano dos internos, abrindo possibilidades de documentação que sobreviveram ao período.

A narrativa de Godoy percorre a relação entre a ilha Dawson e o momento atual: Dawson é reconhecida como local de memória oficial do Chile, mas permanece cercada por disputas sobre seu legado. A dificuldade de chegar até a ilha é explicada como consequência de restrições militares e políticas.

O autor envolve o leitor ao alternar a linha do tempo com relatos de viagem que percorrem desde Punta Arenas, no continente, até o extremo sul, buscando compreender a distância entre o passado e o presente. Em todo o trabalho, o foco é informar de modo claro e fundamentado.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais