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Alemanha: extrema-direita lidera nova eleição estadual; Merz fala em “desastre”

Pesquisa de boca de urna indica segunda vitória do partido Alternativa para a Alemanha em duas semanas; avanço preocupa Europa

Membros importantes do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, incluindo o candidato Enrico Schult (2º da esquerda para a direita), discursam para apoiadores na festa de acompanhamento da apuração dos votos do AfD, enquanto o chanceler alemão e líder da União Democrata Cristã (CDU), Friedrich Merz, aparece falando ao vivo em um monitor ao fundo, após a divulgação dos resultados preliminares das eleições estaduais de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em 20 de setembro de 2026, em Schwerin, Alemanha.
Membros do partido de extrema-direita AfD discursam enquanto o chanceler alemão, Friederich Mertz, faz um pronunciamento na TV (SEAN GALLUP / GETTY IMAGES EUROPE/ Getty Images via AFP)

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais no nordeste da Alemanha neste domingo (20), segundo mostraram pesquisas de boca de urna, o que representou um “desastre” para o chanceler Friedrich Merz, que prometeu seguir em frente com sua agenda de reformas.

A AfD teria conquistado 37% dos votos no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, à frente dos social-democratas de centro-esquerda, com 35,5%, e bem à frente dos conservadores de Merz, que obtiveram 5,5% e mal ultrapassaram o limite mínimo para entrar no Parlamento estadual, de acordo com as pesquisas de boca de urna divulgadas pela televisão pública ARD.

No entanto, é improvável que o partido de extrema-direita chegue ao poder, já que os outros principais partidos descartam uma aliança com ele.

Se confirmado, o resultado de domingo seria o pior em qualquer eleição estadual para o partido de Merz desde 1949. Seria também mais uma vitória em primeiro lugar em nível estadual no mês para o partido AfD, que é rejeitado pelos partidos tradicionais, mas lidera as pesquisas de opinião nacionais.

“É um desastre”, disse Merz em declarações televisionadas após a divulgação das pesquisas de boca de urna, mas sinalizou que continuaria na luta como chanceler, apesar das especulações de que um resultado ruim poderia levá-lo a renunciar.

Em outra eleição na capital, Berlim, que também ocorreu no domingo, o partido de extrema-esquerda Linke obteve 24,5%, enquanto os conservadores de Merz ficaram com 20% e a AfD também ganhou força, atingindo 16%.

Os resultados de domingo podem não ser um golpe fatal para Merz, que na semana passada recebeu o apoio de oito governadores conservadores.

Mas seus baixos índices de aprovação, reformas impopulares e o triunfo da AfD em uma eleição estadual anterior na Saxônia-Anhalt deixaram seu futuro em suspenso. Merz convocou uma reunião do partido para domingo a fim de discutir os próximos passos.

As eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um Estado predominantemente rural na região leste, antigo bloco comunista, e na capital Berlim, seguem-se à eleição de 6 de setembro na Saxônia-Anhalt, onde a AfD esteve perto da rara façanha de conquistar a maioria absoluta.

As eleições nos dois Estados normalmente não despertariam muito interesse fora da Alemanha, mas o sucesso da AfD na Saxônia-Anhalt — que o partido vê como o primeiro passo para vencer as eleições federais previstas para 2029 — causou comoção em toda a Europa.

Em pouco mais de uma década, o partido — que defende medidas duras para deportar estrangeiros sem direito de permanência na Alemanha, restabelecer laços energéticos com a Rússia e abandonar o euro — transformou-se de um movimento eurocético marginal no partido mais popular do país.

As pesquisas de boca de urna destacam os avanços que a AfD conquistou nos últimos anos e levantam novas questões sobre a estratégia da “barreira de proteção”, segundo a qual os outros principais partidos se recusam a firmar acordos de coalizão com ela.

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