Mais de 100 soldados britânicos e reservistas locais participaram de um treinamento de seis dias nas Ilhas Malvinas. O exercício militar, que aconteceu no começo de outubro, tinha como objetivo preparar a tropa para uma eventual tentativa de invasão argentina. As informações foram reveladas pelo jornal britânico The Times.
A operação reproduziu situações enfrentadas pelos militares britânicos na guerra de 1982. Os exercícios militares incluíram uma marcha noturna de mais de 30 km e um desembarque de militares a partir do mar. Ao Times, o comandante da companhia, que participou do treinamento, disse que a atividade permitiu aos militares conhecer melhor os desafios enfrentados pelas tropas britânicas durante o conflito.
A Argentina ocupou o arquipélago em abril daquele ano. Depois de 74 dias de guerra, o Reino Unido retomou o controle das ilhas em junho. Os argentinos continuam a reivindicar a soberania sobre as Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos.
A informação veio a tona durante mais um capítulo da disputa entre os dois países, já que nesta terça-feira (13), a Argentina acionou o Tribunal Internacional do Direito do Mar para impedir a exploração de petróleo na região. Em respota, o Reino Unido anunciou medidas para proteger empresas britânicas que atuam no arquipélago.
Ofensiva legal e protecionismo econômico
O governo de Javier Milei pediu ao Tribunal Internacional do Direito do Mar ações para impedir a exploração de petróleo na bacia norte das Malvinas.
Segundo comunicado da Presidência argentina, a medida pretende preservar os direitos soberanos do país sobre a plataforma continental. Além disso, a ação legal quer evitar atividades autorizadas pelo Reino Unido “de maneira unilateral e ilegal” na região.
No fim de setembro, a Argentina já havia anunciado que pediria uma arbitragem ao tribunal. Nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, repostou o comunicado.
La estrategia integral impulsada por el Presidente @JMilei para defender nuestros recursos en la Plataforma Continental argentina está generando resultados concretos.
En un hecho sin precedentes, la República Argentina solicitó al Tribunal Internacional del Derecho del Mar que tome medidas provisonales para que el Reino Unido cese las acciones unilaterales en la Cuenca Norte de las Islas Malvinas.
Nuestro país solicitó al Tribunal que el Reino Unido:
👉 Impida el inicio o la continuación de la explotación de los recursos de hidrocarburos en la plataforma continental de la Cuenca Norte de Malvinas por parte del denominado proyecto “Sea Lion”.
👉 Se abstenga de utilizar la información obtenida durante la exploración de los recursos naturales de las áreas marítimas en disputa en perjuicio de los derechos de la República Argentina.
👉 Cese de impedir que la República Argentina cumpla con su obligación, en virtud de los artículos 192 y 194 de la CONVEMAR, de proteger y preservar el medio marino de las áreas marítimas objeto de la controversia.
👉 Se abstenga de adoptar cualquier otra medida que pueda agravar la controversia, en particular, el otorgamiento de nuevos permisos para la explotación de los recursos de la plataforma continental en disputa.
Reiteramos una vez más nuestro compromiso con el diálogo, la diplomacia, el derecho internacional, e invitamos al Reino Unido a retomar la mesa de negociación bilateral para encontrar una solución pacífica y definitiva a la disputa de soberanía, tal como lo establecen las resoluciones de las Naciones Unidas.
Por historia y por derecho: las Malvinas son argentinas. 🇦🇷🇦🇷🇦🇷
— Pablo Quirno (@pabloquirno) October 13, 2026
Enquanto isso, o governo do primeiro-ministro britânico Andy Burnham anunciou medidas para proteger empresas e cidadãos do Reino Unido que operam nas Malvinas. O objetivo, segundo Londres, é impedir que leis argentinas punam atividades econômicas lícitas no arquipélago.
As medidas terão como base a Lei de Proteção dos Interesses Comerciais, que impede pessoas e empresas britânicas de cumprir sanções extraterritoriais de outros países. Vale ressaltar que administração das ilhas é de responsabilidade britânica desde 1833.
Segundo o governo britânico, as regras vão atingir apenas as medidas argentinas relacionadas às Malvinas e não restringem os negócios de empresas britânicas com a Argentina. A legislação deve entrar em vigor até o fim do ano.
Em nota, o governo britânico afirmou que as medidas enviam “um sinal claro de que não ficaremos de braços cruzados enquanto a Argentina busca aplicar sua legislação interna para impedir interesses comerciais legítimos nas Ilhas Malvinas”.
O texto também classifica como “inaceitáveis” as tentativas argentinas de intimidar empresas e pessoas que exercem atividades comerciais legítimas.
+Milei quer endurecer regras contra atividades de exploração nas Malvinas
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