Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

França mobiliza 70 mil agentes para evitar violência em protestos

Governo teme novos saques no sábado e reforça esquema com blindados, helicópteros e drones

Dois policiais com equipamento antidistúrbio, joelheiras e caneleiras pretas, em uma calçada. Um deles segura um fuzil e leva uma pistola no coldre, com o emblema da Polícia Nacional no braço. À direita, uma pessoa de jaqueta vermelha e calça escura está de braços cruzados. Os rostos não aparecem, e ao fundo há a fachada de uma loja.
França reforça a presença policial nas ruas para evitar novos distúrbios nos protestos de sábado (Crédito: Louai Barakat/Hans Lucas via AFP)

O governo da França vai mobilizar 70 mil policiais e gendarmes para conter a violência nos protestos sociais marcados para este sábado (24), informou o Executivo nesta sexta-feira (23). Segundo as autoridades, a medida responde às diversas mensagens publicadas nas redes sociais que incitam “abusos” e “saques”.

A segunda maior economia da União Europeia viveu no sábado passado um dos maiores episódios de violência urbana dos últimos anos, seis meses antes de os franceses escolherem o sucessor do presidente de centro-direita, Emmanuel Macron.

Os episódios de violência aconteceram paralelamente a grandes atos contra a alta do custo de vida. Também se juntaram às manifestações estudantes que cobram, desde o fim de setembro, melhorias nas escolas de ensino médio.

Ataque a tiros mata um e deixa quatro feridos nos arredores de Paris

Os organizadores dos atos e os estudantes convocaram novas manifestações para sábado. “Não estamos satisfeitos”, disse Nathanaël Combary, presidente de um sindicato estudantil, depois de as entidades estudantis se reunirem com Macron. 

Ele defendeu que a “pressão” sobre o governo continue até segunda-feira (26), quando o Executivo deve fazer anúncios em resposta às demandas dos estudantes.

No entanto, a margem de manobra do governo, minoritário no Parlamento, é limitada, sobretudo quando busca aprovar um forte ajuste fiscal no orçamento de 2027 para reduzir o elevado nível da dívida e do déficit públicos e tranquilizar os mercados.

A onda de violência agravou a imagem da França, já prejudicada pela situação das contas públicas. Um sinal disso é que o rendimento dos títulos da dívida pública francesa de dez anos voltou a superar 5%, algo inédito desde 2002.

Paris adota novo toque de recolher até segunda (26) em áreas centrais

Essa alta reflete o temor dos investidores em relação à capacidade do Estado francês de pagar sua dívida, cujo custo poderá aumentar ainda mais se a agência de classificação de risco Moody’s rebaixar a nota da França nesta sexta-feira.

Blindados, helicópteros e drones nas ruas

Para evitar novas cenas de caos, que correram o mundo, o governo prometeu uma mobilização policial “maciça”. Além dos 70 mil policiais e gendarmes, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou cerca de 20 veículos blindados da gendarmaria, 15 caminhões com canhões de água, helicópteros e drones, entre outros equipamentos.

“Constatamos que há inúmeras convocações procedentes do movimento da extrema esquerda e da extrema esquerda radical (…) para cometer abusos” e “saques”, declarou o ministro em entrevista coletiva. “Seremos inflexíveis”, acrescentou.

Macron diz que protestos considerados “ilegítimos” serão proibidos na França

As autoridades atribuem a violência a “pequenos grupos de extrema esquerda” – antifascistas, anarquistas e anarcoautônomos -, aos quais teriam se somado “criminosos oportunistas”, especialmente jovens oriundos dos subúrbios das grandes cidades, para saquear lojas.

Em Orléans, cerca de 100 quilômetros ao sul de Paris, também será mobilizado um importante esquema de segurança, diante da expectativa de até 30 mil pessoas em uma manifestação contra o congresso do Reagrupamento Nacional (RN), partido de extrema direita de Marine Le Pen, que aparece como favorita nas pesquisas para a eleição presidencial.

Em meio à pressão sobre as autoridades em relação à segurança, um ataque “terrorista” e supostamente “racista” deixou um morto e vários feridos nesta sexta-feira perto de Paris. O autor, um homem de 39 anos, foi detido.

Paris se prepara para novo dia de protestos

Desde a violência de sábado, o governo descartou decretar estado de emergência e defendeu outras medidas para retomar o controle, como toques de recolher parciais e a proibição de manifestações que não sejam convocadas por atores “legítimos”, como os sindicatos.

Em Paris, o toque de recolher na Praça da República e em Les Halles, área comercial do centro onde se concentraram os distúrbios, foi prorrogado até a manhã de segunda-feira (26). A medida vale diariamente das 23h às 6h.

França investiga duas mortes em protestos; toque de recolher em Paris continua

Em Paris e Marselha, segunda maior cidade da França, as autoridades autorizaram os atos convocados pelas centrais sindicais, enquanto a marcha prevista em Lyon foi proibida. Muitos dos episódios de violência da semana passada aconteceram em protestos sem autorização.

Diante da nova jornada de manifestações, muitos comerciantes em Paris protegeram as vitrines de seus estabelecimentos com painéis de madeira. Alguns pensam em não abrir, enquanto outros pretendem defender suas lojas de eventuais saques por conta própria.

“Vi tacos de beisebol, barras de ferro e espingardas de caça“, alertou o presidente das Câmaras de Comércio e Indústria da França, que pediu aos comerciantes que “baixem as portas” e “deixem a polícia agir”.

Os museus parisienses do Louvre, Orsay e Picasso, as duas sedes da Ópera de Paris e as fundações Cartier e Louis Vuitton permanecerão excepcionalmente fechados no sábado.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais