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Águas mais quentes reduzem habitat de krill ao redor da Antártida

Temperaturas do mar aumentaram e reduzem o habitat de krill no Scotia Sea, com deslocamento de cerca de 440 quilômetros para o sul e impacto potencial na cadeia alimentar

Baby krill living around Antarctica are struggling to cope with rising sea temperatures, new research suggests.
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  • Estudo publicado online em 21 de janeiro na Nature Climate Change aponta que o aquecimento das águas reduz o habitat de krill na região norte do Mar de Scotia.
  • Densidades de krill diminuíram no norte e se deslocaram cerca de 440 quilômetros para o sul desde a década de 1920.
  • A maior parte dessa contração ocorreu desde a década de 1970.
  • O tamanho médio dos krill adultos aumentou em 6 milímetros (aproximadamente 75 por cento mais pesado), possivelmente porque há menos jovens disponíveis.
  • Mudanças demográficas podem impactar a teia alimentar local; a pesca de krill tem limites conservadores, mas ainda não refletem a localização e o tamanho da população.

O aquecimento de águas tem reduzido o habitat do krill, pequeno crustáceo que sustenta a cadeia alimentar antártica. Pesquisa publicada online em 21 de janeiro na Nature Climate Change aponta menor sobrevivência de krill jovem nas regiões setentrionais do Mar de Scotia, onde se concentram as maiores populações.

Os dados analisados pelos pesquisadores mostram que as águas do norte ficaram mais quentes, ventos mais fortes, mais zonas de proximidade ao gelo reduzido e condições gerais mais hostis para a vida jovem do krill. A conclusão é que o regime de temperatura influencia diretamente a taxa de sobrevivência.

A equipe reuniu séries históricas de medidas de tamanho e contagem de krill ao longo de mais de 90 anos, com foco no Mar de Scotia, ponto de encontro entre Atlântico e Pacífico Sul. Nesse local, a densidade de krill historicamente é elevada e serve de alimento para peixes, pinguins e baleias.

Segundo os autores, a maior densidade de krill mudou-se para o sul cerca de 440 quilômetros desde a década de 1920, com a maior parte da contração ocorrendo desde os anos 1970. Paralelamente, o tamanho médio dos adultos aumentou cerca de 6 milímetros, o que representa cerca de 75% a mais de peso.

A explicação sugerida é que menos krill jovens levaram ao crescimento relativo dos adultos, uma condição associada a dificuldades de reposição populacional. Os pesquisadores destacam que esse deslocamento populacional pode alterar a dinâmica da cadeia alimentar regional, caso krill maiores adotem trajetórias mais rápidas ou migrem para águas mais profundas.

A cobertura de dados aponta que as mudanças demográficas ocorrem em paralelo a tendências já observadas em outras partes da teia alimentar, como impactos em fendas de nascimento de espécies associadas ao ecossistema da região, conectando-se a estudos anteriores sobre o tema.

Desdobramentos na cadeia alimentar

O estudo reforça que alterações na distribuição de krill podem afetar peixes, aves marinhas e cetáceos que dependem do alimento. A interdependência geográfica de espécies fica mais complexa diante do aquecimento regional.

Gestão da pesca e ações climáticas

Os autores destacam que a pesca internacional de krill mantém limites conservadores, porém sem refletir a localização e o tamanho da população. Eles acrescentam que ações apenas regulatórias não substituem a necessidade de ações globais contra as mudanças climáticas.

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