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Não existe consumo de álcool totalmente seguro, alerta a ciência

Novos estudos reforçam que não existe dose segura de álcool; OMS aponta milhões de mortes anuais e riscos de câncer e outros efeitos

Evidências científicas cada vez mais robustas têm mostrado que não existe dose segura de álcool, já que não é possível prever quem terá problemas devido ao consumo desse tipo de bebida.
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  • A Organização Mundial da Saúde afirma que não existe dose segura de álcool para a saúde, e os malefícios são maiores com o consumo; a cada ano, cerca de 3 milhões de pessoas morrem globalmente por uso abusivo.
  • No Brasil não há diretriz oficial específica, mas o consenso é seguir as recomendações da OMS; médicos evitam incentivar o consumo, principalmente entre adolescentes.
  • A metabolização do álcool varia muito entre as pessoas, tornando impossível definir uma dose segura; fatores como gênero, idade, cirurgia, fígado, genética e altura influenciam o risco.
  • O diagnóstico de transtorno por uso de álcool depende do impacto na qualidade de vida, não de uma dose fixa; é possível sofrer dependência mesmo com consumo não frequente.
  • Existem referências diferentes de dose: o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) aponta 14 g de etanol por unidade, enquanto a OMS usa 10 g por dose e recomenda no máximo duas doses por dia para homens e uma para mulheres, com abstinência de pelo menos duas vezes por semana.

Nos últimos anos, uma série de estudos tem apontado os riscos associados ao consumo de bebidas alcoólicas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que não existe uma dose segura de álcool para a saúde, independentemente de supostos benefícios anteriores. O relatório trazidos pelo The Lancet Public Health ressalta que o consumo está ligado a maior probabilidade de doenças, incluindo câncer.

Dados da OMS indicam que três milhões de mortes anuais no mundo são atribuídas ao uso abusivo de álcool, o que corresponde a seis óbitos por minuto. No Brasil, não há diretriz oficial específica, mas a prática clínica aponta para evitar incentivar o álcool mesmo entre não bebedores e, especialmente, entre adolescentes.

A mensagem de consumo moderado, ainda comum em campanhas, passa a ser questionada pelos especialistas à medida que cresce a evidência de que não há margem segura. A discussão envolve fatores individuais complexos que tornam impossível estabelecer uma dose universal segura para todos.

Massa de evidências científicas

Para pesquisadores, o avanço das evidências tornou a ideia de consumo seguro menos discutível. Um estudo de 2018, publicado na Lancet, avaliou mais de 100 mil pessoas de 195 países entre 1990 e 2016, revelando que o risco de adoecer aumenta com a dose, mesmo em doses consideradas pequenas.

Segundo Guilherme Messas, psiquiatra e professor da Santa Casa de São Paulo, a relação entre álcool e saúde é complexa e não há um limite único, pois cada pessoa metaboliza de forma diferente. Em mulheres, por exemplo, a absorção e o metabolismo diferem dos homens, o que afeta os riscos.Idade, cirurgias prévias, histórico hepático, predisposição genética e altura também influenciam.

O diagnóstico de transtorno por uso de álcool varia individualmente, sem uma frequência fixada. Uma pessoa pode beber semanalmente e apresentar dependência severa, ou consumir diariamente sem desenvolver problema. O critério envolve o grau de prejuízo na qualidade de vida.

Doses padrão e orientações

A definição de dose padrão é contestada entre instituições. O Centro de Informações sobre Saúde e Alcohol (Cisa) descreve uma unidade de álcool equivalente a aproximadamente 14 g de etanol, o que corresponde a cerca de 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de destilados. Já a OMS utiliza 10 g de álcool por dose.

Em termos de consumo diário recomendado, a OMS sugere no máximo duas doses por dia para homens e uma para mulheres, com pelo menos dois dias sem bebida por semana. Essa diferença de métricas complica a comunicação pública, especialmente no Brasil, onde não há uma definição oficial de dose segura.

Especialistas defendem que proibir o álcool não é a solução, mas que é preciso ampliar a educação sobre uso responsável e restringir o acesso de forma gradual. Entre as propostas aparecem melhoria de campanhas de conscientização e políticas de saúde pública que reduzam a exposição e promovam escolhas informadas.

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