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Arrasto de fundo em reservas marinhas do Reino Unido é legal

Análise revela que pesca de fundo em áreas offshore protegidas do Reino Unido soma mais de 33.000 horas em um ano, com dez embarcações responsáveis por um quarto da atividade

Fishing boats and trawlers in Whitstable Harbour, London.
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  • Em 2023, navios comerciais com dredges e equipamento de arrasto de fundo atuaram em mais de 33 mil horas nas áreas marinhas protegidas (MPAs) offshore do Reino Unido.
  • Acompanhamento de 63 MPAs bentônicas revelou intensa atividade pesqueira, incluindo participação de 10 embarcações responsáveis por cerca de um quarto desse arrasto.
  • Navios estrangeiros, principalmente da Espanha, França e Noruega, também operaram nessas áreas, sob licenças obtidas via Marine Management Organisation (MMO) após licenciamento.
  • As MPAs existem para proteger biodiversidade, mas nem todas as áreas com manejo específico proíbem arrasto de fundo; leis locais (byelaws) podem restringir atividades em recursos como dunas e recifes.
  • Autoridades e defensores pedem proteção mais ampla e rigorosa, com o objetivo de estender regras além de sites específicos e proteger 54 MPAs offshore até o fim de 2024.

O uso de pesca de fundo em áreas marinhas protegidas do Reino Unido foi registrado em 2023, com embarcações comerciais using dredges e equipamentos de bottom-trawling operando mais de 33 mil horas em MPAs offshore, segundo a Oceana U.K. O monitoramento usou dados de satélite para 63 MPAs bentônicas, visadas para proteger biodiversidade marinha.

A análise aponta que, apesar da proteção, as MPAs concentram atividades pesqueiras, gerando preocupação sobre o impacto nos ecossistemas do leito marinho. Além disso, 10 embarcações foram responsáveis por cerca de um quarto do tralho nessa área.

Em que pese o status de proteção, as MPAs não impedem automaticamente a pesca de fundo. Em muitos casos, leis locais permitem atividades mediante licenças, com regras específicas por área e por feature a proteger.

Como funcionam as MPAs no Reino Unido

As MPAs variam em regras de exploração e acesso, indo de áreas sem pesca a zonas com restrições específicas. Entre elas, áreas de proteção máxima criam proibições totais, visando a recuperação de espécies e habitats sensíveis.

O Reino Unido mantém uma rede de 374 MPAs, cobrindo 38% das suas águas, incluindo zonas de alta proteção, MCZs, SACs, SPAs com componentes marinhos e MPAs de conservação da natureza.

DEFRA apresentou que houve avanço na gestão pós-BREXIT, incluindo a proibição de bottom-trawling em características específicas como dunas e recifes em 13 MPAs offshore. No entanto, a ONG Oceana U.K. reforça que ainda há muito a fazer.

Ponto a ponto sobre o que foi revelado

A investigação de Tagholm, da Oceana U.K., usou dados do Global Fishing Watch e AIS público para mapear quando navios equipados com trawl operavam em MPAs offshore. Os dados mostram que grande parte da atividade ocorreu em duas MPAs: Southwest Deeps (East) e Western Channel.

Pesquisadores citados apontam impactos do bottom trawling sobre o leito, habitats sensíveis e pela captura acidental de espécies não-alvo. Exigências de políticas mais restritivas são defendidas por grupos de conservação e especialistas.

Apenas navios de grande porte, origem estrangeira, também contribuíram de forma relevante para a atividade de fundo nas MPAs, segundo a análise. O Ministério da Conservação de Pesca e a MMO mantêm o arcabouço legal para licenças e fiscalização.

Caminhos futuros e contexto

Defra pretende ampliar proteções em áreas offshore e prevenir atividades prejudiciais até o fim de 2024, incluindo todas as 54 MPAs offshore. Pesquisadores e organizações defendem proteções plenas para apoiar biodiversidade e pesca sustentável.

Apoio a mudanças envolve entender que MPAs devem traduzir proteção efetiva, não apenas no papel. Enquanto isso, o setor pesqueiro teme restrições adicionais, mas reconhece a necessidade de sustentabilidade a longo prazo.

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