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Contaminação do leite materno expõe o problema africano com químicos eternos

PFAS, substâncias químicas persistentes, são encontradas no leite materno na África, aumentando riscos infantis e pressionando sistemas de água

Mother feeding her child in Mozambique. Image courtesy of Aurélie Marrier d’Unienville / IFRC via Flickr (CC BY-NC-ND 2.0).
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  • Pesquisadores em Ghana encontraram PFAS—conhecidos como “forever chemicals”—em amostras de leite materno, indicando exposição desde o nascimento.
  • PFAS são químicos estáveis que persistem no ambiente e podem passar para o leite materno, ligando-se à água, alimentos e poeira.
  • A exposição pode provocar danos ao fígado, doenças da tireoide, câncer e prejudicar o sistema endócrino; gestantes e crianças são grupos de maior risco.
  • A água contaminada e fontes de alimento são vias de exposição; o tratamento de água na África nem sempre remove PFAS com eficácia.
  • Para reduzir o risco, há necessidade de mais pesquisa, regulações mais rígidas e tecnologia de tratamento; regulações semelhantes às dos EUA ainda são raras em países africanos.

Um estudo realizado na Ghana aponta a presença de substâncias químicas perfluoroalquiladas (PFAS) no leite materno, revelando um possível canal de exposição de bebês a esses compostos conhecidos como “forever chemicals”. A pesquisa foi publicada em 2024 e envolve a equipe liderada pelo professor David Koli Essumang.

Os PFAS são amplamente usados em materiais resistentes a calor, água e óleo, incluindo embalagens de alimentos e vestuário. Especialistas afirmam que as substâncias são extremamente estáveis e difíceis de eliminar, o que facilita seu acúmulo no organismo humano ao longo do tempo.

No estudo conduzido na região sul de Ghana, amostras de leite materno de mulheres passaram pela análise de PFAS, indicando que compostos presentes na corrente sanguínea podem se transferir para o leite. Pesquisadores destacam que isso coloca recém-nascidos e gestantes sob risco potencial.

Especialistas como Adewale Adewuyi, professor visitante na Ulm University, ressaltam que a contaminação também pode ocorrer na água potável e em fontes de alimentação. Em Nigeria e outros países africanos, evidências apontam que os sistemas de tratamento de água nem sempre removem PFAS, amplificando a exposição.

Aeb M. Essumang, que também coordena pesquisas sobre PFAS em fontes hídricas na Ghana, aponta a necessidade de avanços em detecção, regulação e tratamento. Estudos anteriores já mostraram PFAS no leite de mães ugandenses, embora não tenham indicado riscos inegáveis para crianças.

Especialistas destacam que crianças, incluindo aquelas alimentadas com fórmula, podem sofrer com a exposição, já que o PFAS pode chegar ao leite materno ou à água usada na formulação. A limitação de tecnologias de tratamento e a escassez de regulações são apontadas como entraves na região.

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