- Líderes Munduruku dizem que doenças associadas à mineração ilegal, incluindo contaminação por mercúrio, continuam afetando comunidades, mesmo após as operações de retirada dos garimpeiros.
- Governo federal realizou raid em novembro de 2024 para expulsar garimpeiros, destruindo acampamentos, embarcações e maquinário, com multas totalizando 24,2 milhões de reais, mas houve pouca ação para tratar a saúde após a operação.
- Líderes indígenas e especialistas afirmam que não houve políticas públicas de saúde, alimentação ou assistência social implementadas no território após as remoções.
- Pesquisas indicam contaminação por mercúrio em moradores do Munduruku, com impactos em crianças e nos níveis de mercúrio em cabelos, além de preocupação com malária na região.
- Ministério dos Povos Indígenas anunciou suporte ao projeto Ywy Ipuranguete, voltado a gestão territorial e segurança alimentar, mas questiona-se a efetividade e o que será feito para saúde específica dos Munduruku.
O que aconteceu? Em novembro de 2024, o governo federal lançou uma operação para expulsar garimpeiros ilegais dos Territórios Munduruku, no Pará, após meses de atividade mineradora na região. Foram destruídos 90 acampamentos de garimpo, 15 embarcações, 27 máquinas pesadas e 224 bombas d’água, com multas de 24,2 milhões de reais.
Quem está envolvido? Lideranças Munduruku, como Hidelmara Kirixi, e organizações como Wakoborũn Munduruku Mulheres, Pariri Associação Indígena e Ipereğ Ayũ Munduruku. O governo federal atuou por meio de órgãos como SESAI, Funai e ministérios vinculados. Autoridades disseram ter removido invasores das áreas de Munduruku, mas a resposta à saúde ficou em aberto.
Quando e onde? A operação ocorreu entre novembro de 2024, em Munduruku no Pará, e os impactos continuam após as ações de retirada. As comunidades relatam agravamento de problemas de saúde decorrentes de contaminação por mercúrio e de destruição ambiental na região do Tapajós.
Por quê? A ação visou interromper a mineração ilegal associada a contaminação por mercúrio, devastação de rios, e violação de direitos territoriais. A intenção oficial é interromper atividades de garimpo, com monitoramento contínuo para evitar retorno.
Impactos na saúde
Indígenas relatam piora de doenças associadas à poluição, incluindo diarreia, irritações, febre e problemas neurológicos em crianças. Mulheres grávidas relatam dificuldades com parto devido a complicações associadas à contaminação ambiental. Atribuem-se impactos diretos à mineração ilegal e à contaminação de peixes.
Dados oficiais e lacunas
Entre janeiro e outubro de 2024, o Ministério da Saúde registrou 381 casos de “efeitos tóxicos do mercúrio” em Munduruku e Sawré Muybu. O governo não disponibilizou dados atualizados nem medidas de saúde específicas para Munduruku após a operação.
Políticas públicas e resposta institucional
Especialidade de Saúde Indígena (SESAI) enfrenta queda de apoio nos últimos anos, segundo líderes locais. A coordenação de povos da Amazônia aponta queda na frequência de visitas técnicas e na disponibilidade de equipes. SESAI e Funai não responderam a pedidos de comentário.
Projeto governamental e promessas
O Ministério dos Povos Indígenas informou que os Munduruku são um dos 15 povos a receber assistência do projeto Ywy Ipuranguete, com foco em gestão territorial, segurança alimentar e geração de renda. O financiamento total é de 9 milhões de dólares; a área de Sai Cinza não integre o projeto.
Contexto regional
A atuação nos Munduruku acompanha ações semelhantes em outras terras, como Yanomami e Arariboia, em operações desde 2023. Em Yanomami, houve reforço de emergência de saúde e alimentação. Em Munduruku, a ausência de ações de saúde foi destacada por líderes locais.
Medidas e demandas dos Munduruku
Em abril, líderes enviaram carta solicitando ações para assistência à saúde, com detalhes sobre contenção de mercúrio, malária, insegurança alimentar e acesso à água potável. O documento cobra maior vigilância, infraestrutura e financiamento específico.
Mercúrio e ciência
Estudos de Fiocruz indicaram contaminação por mercúrio em adultos e crianças da região desde 2019, com altas taxas de mercúrio no cabelo e contaminação de peixes. Pesquisas atuais acompanham impactos na neurodesenvolvimento de crianças e na saúde materna.
Perspectivas futuras
Pesquisadores ressaltam que a contaminação por mercúrio persiste no solo, com efeitos tardios. A implementação de manuais técnicos para cuidado de povos expostos ao mercúrio visa orientar profissionais e ampliar a rede de atenção às comunidades afetadas.
Entre na conversa da comunidade