- A disputa entre Austrália e Turquia pela sede da COP31, marcada para 2026, se intensifica antes das negociações em Belém do Pará.
- A ONU pediu uma decisão imediata, alertando que a falta de clareza prejudica os preparativos para o evento.
- Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, criticou o adiamento das negociações.
- A Austrália propõe uma “COP do Pacífico”, com apoio de 23 dos 28 integrantes do grupo Europa Ocidental e Outros (WEOG). A cidade de Sydney é a favorita para sediar o evento.
- A Turquia argumenta que sua localização no Mediterrâneo é estratégica e sugere Antalya como alternativa, destacando sua experiência em grandes cúpulas.
O impasse entre Austrália e Turquia pela sede da COP31, marcada para 2026, se intensifica a poucos meses das negociações em Belém do Pará. A ONU exigiu uma decisão imediata, alertando que a falta de clareza prejudica os preparativos para o evento. Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, criticou o adiamento, classificando-o como “inútil e desnecessário”.
Ambos os países apresentaram suas candidaturas em 2022, mas a disputa política se acirrou, com cada um se recusando a ceder. A escolha do anfitrião segue um rodízio entre grupos regionais da ONU, e a decisão deve ser unânime entre os 28 países membros do grupo Europa Ocidental e Outros (WEOG). A expectativa era que a definição ocorresse na última COP29, em Baku, mas não houve consenso.
Propostas em Conflito
A Austrália defende uma “COP do Pacífico”, focando nos desafios climáticos enfrentados por estados insulares vulneráveis. O ministro australiano Chris Bowen afirmou que o país conta com o apoio de 23 dos 28 integrantes do WEOG. Caso a Austrália seja escolhida, Sydney é a cidade mais cotada para sediar o evento, embora Canberra também tenha apoio significativo.
Por outro lado, a Turquia argumenta que sua localização no Mediterrâneo a torna uma opção estratégica, além de ter uma indústria de petróleo e gás menor. Recentemente, autoridades turcas destacaram Antalya como uma alternativa viável, citando sua experiência em sediar grandes cúpulas, como o G20.
Pressão da ONU
A pressão da ONU não se limita à escolha da sede. Simon Stiell também solicitou que a Austrália apresente uma meta ambiciosa de redução de emissões para 2035, além de acelerar sua transição energética. Até o momento, o país não entregou sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), prometendo fazê-lo até setembro. A Turquia também enfrenta atrasos em seu plano climático, com apenas 27 nações, ou 21% das 197 participantes, tendo divulgado suas NDCs até agora.
A falta de um consenso sobre a sede da COP31 pode atrasar ainda mais o planejamento do evento, que mobiliza milhares de delegados de 200 países e exige uma infraestrutura robusta. A situação permanece tensa, com ambos os países firmes em suas candidaturas e a ONU pressionando por uma resolução rápida.
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