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Cidades brasileiras enfrentam alta vulnerabilidade às mudanças climáticas, revela índice

Estudo da USP revela que mais da metade das cidades brasileiras não se adapta às mudanças climáticas, aumentando a vulnerabilidade da população

Erosão na Praia de Boa Viagem, em Recife: a capital mais vulnerável (Foto: Getty/Getty Images)
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  • Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) indica que 54,1% das cidades brasileiras têm baixa capacidade de adaptação às mudanças climáticas.
  • A pesquisa, publicada na revista Sustainable Cities and Society, avaliou mais de 5.500 municípios usando o Urban Adaptation Index (UAI).
  • O UAI considera cinco dimensões: habitação, mobilidade, sistemas alimentares, gestão ambiental e resposta a riscos climáticos.
  • Apenas 36,9% dos municípios têm planos de habitação e 13% possuem planos de redução de riscos.
  • Eventos climáticos extremos, como a pior seca em 17 anos no Rio Grande do Sul e inundações em 2024, afetam principalmente a população em áreas vulneráveis.

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revela que 54,1% das cidades brasileiras têm baixa capacidade de adaptação às mudanças climáticas. A pesquisa, publicada na revista Sustainable Cities and Society, utiliza o Urban Adaptation Index (UAI) para avaliar mais de 5.500 municípios, destacando a falta de planejamento urbano e políticas públicas eficazes.

O UAI analisa cinco dimensões essenciais: habitação, mobilidade, sistemas alimentares, gestão ambiental e resposta a riscos climáticos. As cidades são classificadas em uma escala de 0 a 1, onde mais da metade das cidades brasileiras apresenta pontuação inferior a 0,44. Municípios menores, com até 50 mil habitantes, têm índices entre 0,33 e 0,44. Entre as capitais, Recife é a menos adaptada, com 0,46, enquanto Curitiba e Belo Horizonte se destacam com pontuações de 0,98.

Desigualdade e Vulnerabilidade

A pesquisa também aponta que apenas 36,9% dos municípios possuem planos de habitação, e apenas 13% têm planos de redução de riscos. Instrumentos técnicos, como cartas geotécnicas, estão disponíveis em apenas 5,5% das cidades. A professora Gabriela Di Giulio, coordenadora do projeto CiAdapta 2, enfatiza que o UAI pode ajudar a embasar decisões locais com base em evidências.

O estudo aprofunda a análise em São Paulo e Brasília, que, apesar de boas pontuações, enfrentam desafios significativos. Em São Paulo, comunidades vulneráveis ainda habitam áreas de alto risco, e o plano municipal de redução de riscos foi publicado apenas em 2024. Em Brasília, mesmo com instrumentos técnicos, comunidades carentes continuam expostas a inundações e ondas de calor.

Impactos das Mudanças Climáticas

Os eventos climáticos extremos têm se intensificado no Brasil, como evidenciado pela pior seca em 17 anos no Rio Grande do Sul em 2023, seguida por inundações em 2024 que deslocaram mais de 615 mil pessoas. Esses desastres afetam principalmente aqueles que vivem em moradias precárias, sem acesso a infraestrutura adequada.

Os autores do estudo alertam que a vulnerabilidade climática no Brasil resulta de um crescimento urbano desordenado, falta de infraestrutura e ausência de apoio federal consistente. A governança climática no país é fragmentada e frágil, e a expectativa é que o UAI contribua para fortalecer a resiliência das cidades brasileiras frente a um futuro marcado por eventos climáticos extremos.

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