- Estudo com 1.018 pacientes atendidos pelo SUS entre 2020 e 2023 mostra que pessoas com 50 anos ou mais, que representaram 56,6% da amostra, tiveram melhores resultados com regimes simplificados de TARV.
- Mantidas as médias, 90% do grupo 50+ apresentaram carga viral indetectável, frente a 83,3% entre os mais jovens.
- A taxa de falha virológica foi de 2,5% no grupo 50+, frente a 10,1% nos mais jovens.
- Combinações simplificadas estudadas: lamivudina com dolutegravir (3TC+DTG) e lamivudina com darunavir/ritonavir (3TC+DRV/r).
- Retirada do tenofovir por possíveis toxicidades renais e ósseas; estudo indica que menos medicação pode significar mais conforto terapêutico, adesão e qualidade de vida.
Um estudo realizado no Sistema Único de Saúde (SUS) com 1.018 pacientes, entre 2020 e 2023, avaliou pessoas com HIV com 50 anos ou mais. A pesquisa mostrou que regimes simplificados de terapia antirretroviral (TARV) elevaram o controle viral e reduziram falhas, em comparação com faixas etárias mais jovens. Ao mesmo tempo, houve retirada do tenofovir em esquemas simplificados.
A mostra foi majoritariamente composta por participantes com 50 anos ou mais, correspondendo a 56,6% do total. O estudo indica que quase 90% desse grupo apresentou carga viral indetectável, contra 83,3% dos mais jovens. A taxa de falha virológica foi de 2,5% no grupo 50+, ante 10,1% entre os mais jovens.
A pesquisa foi realizada no SAEI-DAM, da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), referência no acompanhamento de HIV há mais de duas décadas. Os resultados são resultado de colaboração entre a Unesp e o Center for Global Health, da Georgetown University, nos EUA, e serão publicados na Brazilian Journal of Medical and Biological Research.
Regimes simplificados
Foram avaliadas duas combinações de TARV simplificado: lamivudina com dolutegravir (3TC+DTG) e lamivudina com darunavir/ritonavir (3TC+DRV/r). O uso dessas formulações, associado a mais de 11 anos de tratamento, mostrou associação com supressão viral sustentada e maior adesão, além de menor incidência de falhas.
A retirada do tenofovir (TDF) foi destacada como prática que, em pacientes mais velhos estáveis, reduz efeitos renais e ósseos, melhorando conforto terapêutico. Pesquisadores destacam que a diminuição da medicação pode reduzir interações medicamentosas e facilitar a adesão ao tratamento.
Perspectivas e impacto
A líder do estudo, Pietra Stanicki, ressalta que os dados refletem o envelhecimento no Brasil e o sucesso do modelo de cuidado do HIV no SUS. A pesquisadora aponta que esquemas simplificados podem melhorar qualidade de vida e reduzir comorbidades associadas à idade.
Segundo Alexandre Naime Barbosa, coordenador da pesquisa, o envelhecimento da epidemia exige olhar geriátrico e acompanhamento contínuo. Os autores defendem que o modelo brasileiro pode servir de referência para países de renda média, ao conciliar acesso universal com inovação terapêutica.
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