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Técnica brasileira sem robôs reduz custos em cirurgia de próstata pelo SUS

Técnica brasileira AORP reproduz lógica robótica com instrumentos convencionais; custo cerca de quatro vezes menor e resultados equivalentes no SUS

Fotografia de uma equipe de cirurgiões com instrumentos cirúrgicos realizam cirurgia.
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  • Técnica AORP (Open Anterograde Anatomic Radical Prostatectomy) adapta a lógica da cirurgia robótica aos instrumentos convencionais, sem custos adicionais, e foi desenvolvida no Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
  • Estudo piloto com dez pacientes abriu caminho para um ensaio clínico randomizado com 240 participantes (2016 a 2019), que registrou menor perda sanguínea, menor tempo de anastomose, redução no uso de sonda urinária e recuperação urinária mais rápida.
  • Em trinta dias, sessenta e nove por cento dos pacientes tratados com AORP ficaram continentess, ante quarenta e dois por cento no grupo com técnica tradicional; houve menor taxa de complicações e melhor preservação nervosa.
  • O controle oncológico foi equivalente entre AORP e a técnica tradicional, indicando que a precisão técnica é determinante para bons resultados; estudo de cinco anos de seguimento segue em fase de publicação.
  • AORP apresenta custo quase quatro vezes menor que a cirurgia robótica, sem comprometer resultados; pode ser adotada pelo SUS e representar acesso mais amplo a cirurgia de alta performance.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, desenvolveu uma técnica nacional para evitar robótica cara na cirurgia do câncer de próstata. A AORP adapta princípios da cirurgia robótica à prática aberta, usando instrumentos convencionais. A proposta surgiu em 2015, após revisão de técnicas abertas, laparoscópicas e robóticas.

O objetivo é manter a precisão, a preservação anatômica e a dissecção controlada sem custos adicionais com equipamentos. A técnica foi validada por comitê de ética e registrou-se em ensaios clínicos no Clinical Trials. Pacientes no SUS podem se beneficiar de custos menores e acesso ampliado.

Origem e objetivo

A ideia nasceu para replicar benefícios da cirurgia robótica sem investir em plataformas caras. Três pilares definiram o método: dissecção anterógrada, preservação do colo vesical e uretra, e anastomose contínua segundo a técnica de Van Velthoven. Com isso, utiliza-se apenas instrumentos convencionais.

A equipe da Uerj consolidou o método e publicou protocolos para replicação. Estudos seguem rigorosos com aprovação ética e registro, assegurando procedimentos padronizados. A pesquisa buscou comparar segurança oncológica e resultados funcionais entre técnicas.

Resultados de estudos com pacientes

Inicialmente, um estudo piloto com 10 pacientes confirmou promissores desfechos. Em ensaio clínico randomizado com 240 pacientes entre 2016 e 2019, houve menor perda sanguínea e tempo de anastomose na AORP. A recuperação urinária ocorreu mais rápido.

Em 30 dias, 60,9% do grupo AORP alcançaram continência, frente a 42% no grupo tradicional. Também houve redução de complicações e maior preservação nervosa, fatores relevantes para a função sexual. O controle oncológico foi equivalente entre as técnicas.

Impacto, custos e alcance

Resultados de cinco anos de seguimento indicam que a AORP mantém controle da doença semelhante ao método tradicional. Comparações com cirurgia robótica mostraram sangramento, internação e tempo de sonda similares, com custo quase quatro vezes menor, sem considerar a robótica.

No SUS, onde a robótica é exceção, a AORP pode representar marco transformador. A técnica tem potencial para democratizar o acesso a procedimentos avançados sem depender de tecnologia cara. Pesquisadores de outros países já demonstram interesse na abordagem.

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