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É oficial: estatísticas indicam que a arte faz bem à saúde

Engajar-se ativamente na arte reduz depressão e melhora a saúde física e mental, segundo grandes coortes e estudos internacionais

Actively engaging with art (such as creative art therapy, above), can help you live longer, calm you down and ward off senility and depression
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  • Estudos de grande porte mostram que envolver-se com arte pode trazer benefícios à saúde física e mental, incluindo menos depressão, vida mais longa e redução de estresse.
  • A pesquisadora Daisy Fancourt, professora de psicobiologia e epidemiologia na University College London, conduziu análises em estudos de coorte com dezenas de milhares de pessoas ao longo de décadas.
  • Na English Longitudinal Study of Aging, 12.099 pessoas com mais de cinquenta e dois anos foram avaliadas; dentre 2.148 sem histórico recente de depressão, os que participaram de atividades culturais apresentaram depressão em metade do que os não participantes.
  • Em números, 35% do grupo culturalmente inativo desenvolveu depressão na próxima década, versus 23% do grupo culturalmente ativo; resultados mantiveram-se mesmo após considerar renda, vida social e saúde.
  • A obra Art Cure: The Science of How the Arts Transform Our Health, de Fancourt, defende que a participação ativa em arte pode reduzir pressão arterial, acalmar ataques de pânico e melhorar funções cognitivas, com a necessidade de políticas públicas que incentivem a experiência artística.

O impacto da arte na saúde passa de ideia a evidência consistente. Pesquisas de grande porte revelam benefícios físicos e mentais, fruto de décadas de dados que envolvem dezenas de milhares de pessoas.

Daisy Fancourt, professora de psicobiologia e epidemiologia da University College London, lidera a consolidação dessa evidência. Ela utilizou coortes inglesas com perguntas sobre engajamento artístico e saúde mental para comparar grupos ativos e inativos culturalmente.

A primeira análise, com a English Longitudinal Study of Aging, mostrou que, entre 2.148 participantes sem histórico de depressão, o grupo ativo culturalmente teve metade das ocorrências de depressão ao longo de uma década. O efeito permaneceu mesmo após considerar renda, vida social e saúde.

A partir daí, pesquisas em Finlandia, China e outras regiões ampliaram o conjunto de dados. Os resultados indicam que a prática artística pode reduzir pressão arterial, acalmar ataques de pânico e PTSD, além de contribuir para o bem-estar mental e até reduzir a necessidade de anestesia em alguns procedimentos.

Alcance e próximos passos

O livro Art Cure, de Fancourt, será publicado ainda neste mês e recomenda que as pessoas se envolvam ativamente com a arte — ouvir música, atuar em peças, desenhar ou contemplar obras por tempo suficiente. A pesquisadora também avalia que assistir arte na tela tem efeitos menos consistentes.

A atuação da Organização Mundial da Saúde é relevante nesse tema: a OMS tornou Fancourt diretora de seu Centro Colaborativo em Artes e Saúde. Em setembro, a agenda internacional sobre artes e saúde ganhou destaque na Healing Arts Week, em Nova York, com participação de instituições como o Guggenheim.

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