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Animais resgatados nas antigas ‘arcas’ acidentais da Grécia

Sítios arqueológicos funcionam como arcas de biodiversidade, abrigando espécies diversas e influenciando estratégias de conservação

A dark gecko sits on bright leafy vegetation (Credit: Alejandra Arana)
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  • Sítios arqueológicos protegidos da paisagem ajudam a conservar biodiversidade, virando refúgios de plantas e animais diante de mudanças humanas.
  • Em vinte sítios culturais gregos, estudo liderado pelo pesquisador Panayiotis Pafilis identificou quatro mil quatrocentas e três espécies, cerca de onze por cento da biodiversidade conhecida na Grécia, em apenas oitenta centésimos por cento do território.
  • O projeto também mostra que esses locais tendem a abrigar populações animais mais densas que as áreas ao redor, funcionando como “arcas” de biodiversidade.
  • Entre os achados, destacam-se lizards endêmicos da Península do Peloponeso e plantas associadas a mitos e à história; há evidências de continuidade entre plantas e animais antigos e o ambiente atual.
  • Os pesquisadores planejam ampliar o estudo para trinta e seis sítios adicionais e incorporar informações ecológicas aos materiais históricos, fortalecendo a parceria entre arqueologia e biologia.

Arqueólogos e cientistas apontam que sítios arqueológicos podem funcionar como refúgios para espécies de plantas e animais, protegidos da expansão urbana e da atividade agrícola. Em várias partes do mundo, esses acervos culturais se tornam refúgios involuntários de biodiversidade.

Em Greece, pesquisas em 20 sítios de patrimônio cultural revelam que áreas arqueológicas concentram populações animais maiores que áreas próximas. A ideia é que o cenário histórico atua como paisagem estável, integrando história e ecossistema.

O projeto Biodiversidade em Sítios Arqueológicos, iniciado pelo governo grego em 2022, envolveu 49 especialistas. Ao todo, 4.403 espécies foram registradas, o que representa cerca de 11% da biodiversidade conhecida na Grécia em apenas 0,08% do território.

Em Machu Picchu, no Peru, geckos nativos da região costeira desértica da capital aparecem em ruínas e entorno, como huacas, protegendo espécies que resistem à urbanização. A população de lagartixas vem sendo estudada por pesquisadoras locais.

Na Grécia, entre as descobertas, destaca-se a presença de espécies endêmicas em áreas como Mystras, onde lizards foram encontrados com maior frequência do que em zonas próximas. Em Nicópolis, pesquisadores identificaram plantas possivelmente migradas com atividades históricas humanas.

Arcas de biodiversidade

As evidências indicam que sítios arqueológicos funcionam como núcleos de diversidade, funcionando como corredores ecossistêmicos, mesmo com a pressão humana. Em Atenas, estudos desmontaram mitos sobre plantas e mostraram variações de espécies comuns ao redor de sítios históricos.

Ao combinar conservação de patrimônio com proteção ambiental, o estudo sugere que a gestão de sítios pode favorecer tanto a preservação de ruínas quanto a biodiversidade. Esse enfoque ganhou impulso com a participação de autoridades culturais e ambientais da Grécia.

A pesquisa também aponta desafios, como a necessidade de comunicação entre disciplinas. Especialistas destacam que a cooperação entre arqueologia e biologia é essencial para entender valores e estratégias de gestão que beneficiem both a memória histórica e a vida selvagem.

Implicações globais

Resultados de pesquisas em outros países mediterrâneos, incluindo Itália, corroboram a ideia de que sítios arqueológicos abrigam muitas espécies em perigo. A colaboração entre pesquisadores ressalta que o patrimônio cultural pode contribuir para metas de conservação mais amplas.

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