- Estudo da Universidade Rockefeller, liderado pelo neurocientista Winrich Freiwald, mostra que expressões faciais são geradas por uma rede integrada de várias regiões cerebrais, e não por circuitos separados.
- O núcleo facial, no tronco encefálico, envia comandos aos músculos da face e recebe informações de áreas do córtex, especialmente o frontal.
- Em macacos, foram identificados três conjuntos de áreas conectadas aos músculos faciais: córtex motor cingulado, córtex motor primário e pré-motor, e córtex somatossensorial.
- Movimentos como sorriso, careta e mastigação envolvem todas as áreas, mas com timing distinto: áreas laterais atuam rapidamente; áreas mediais ajudam a sustentar a expressão.
- A pesquisa indica uma rede sensório-motora única e dinâmica, com aplicações em interfaces cérebro-máquina e reabilitação de pacientes.
O cérebro cria expressões faciais por meio de uma rede integrada de regiões que atuam de forma dinâmica. Novos achados ajudam a explicar como sorrisos, caretas e até mastigação são gerados.
O estudo, publicado na Science, foi conduzido no Laboratório de Sistemas Neurais da Universidade Rockefeller, nos EUA, sob a liderança do neurocientista Winrich Freiwald. A pesquisa foca em como o cérebro transforma sinais em movimentos faciais.
Os resultados mostram que não existe um único centro mental responsável; várias áreas trabalham juntas para produzir expressões, seja em contextos sociais ou motores, como mastigação.
Núcleo facial e vias corticais
O ponto de partida fica no tronco encefálico, onde fica o núcleo facial que comanda os músculos da face. Esse núcleo recebe informações de várias regiões do córtex, principalmente do frontal, ligado a planejamento e decisão.
As áreas envolvidas incluem o córtex motor cingulado, o motor primário e o pré-motor, e o córtex somatossensorial. Juntas, essas regiões se conectam aos músculos faciais para diferentes expressões.
Movimentos estudados envolveram gestos sociais e a mastigação. Pesquisadores observaram expressões em macacos por meio de ressonância magnética funcional, com estímulos variados, incluindo interações com outros indivíduos e avatares digitais.
Dinâmica temporal das regiões
Os achados indicam que as áreas do cérebro participam de todos os tipos de expressão, apenas com ritmos diferentes. Regiões laterais atuam rapidamente para ajustar detalhes finos; áreas médias mantêm a expressão por mais tempo.
Essa distribuição de tempo sugere que o cérebro divide o trabalho conforme o ritmo necessário, não por categorias fixas como emoção versus vontade.
Rede sensório-motora integrada
Uma análise paralela, publicada na PNAS, reforça a ideia de que as áreas formam uma única rede sensório-motora. Elas se comunicam constantemente e ajustam a coordenação conforme o movimento.
Os pesquisadores destacam que o controle motor facial é dinâmico e flexível, em vez de seguir vias prontas e independentes. A integração entre percepção e resposta motora é central para a geração de emoções.
Implicações e perspectivas
A compreensão dessa integração pode ampliar estudos sobre emoções e o funcionamento social do cérebro. Aplicações incluem avanços em interfaces cérebro-máquina, para falar ou controlar próteses via sinais neurais.
Os autores ressaltam que a pesquisa pode trazer benefícios para pacientes com lesões cerebrais, tornando a comunicação assistida mais natural e eficiente.
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