- Pesquisadores publicaram em novembro de 2025, no Journal of Virology, a descrição de um vírus gigante inédito chamado ushikuvirus, encontrado no rio Ushiku, no Japão.
- O ushikuvirus é similar aos vírus gigantes da família Mamonoviridae, infecta amebas e tem forma icosaédrica com espículas.
- A descoberta reforça a hipótese da eucariogênese viral, que sugere que um vírus gigante pode ter originado o núcleo que abriga o DNA nas células eucariontes.
- Diferenciais do ushikuvirus: rompe a membrana do núcleo da ameba para produzir partículas virais e consegue se replicar mesmo com o núcleo danificado; além disso, induz crescimento incomum da célula hospedeira.
- O estudo aponta relação filogenética com a família Mamonoviridae e sugere que interações entre vírus gigantes e hospedeiros influenciaram a evolução das células eucariontes e da vida como um todo, abrindo caminhos para novas pesquisas e possíveis aplicações em tratamentos de infecções por amebas.
Um estudo publicado em novembro de 2025 no Journal of Virology apresenta a descoberta de um vírus gigante inédito, chamado ushikuvirus, encontrado no rio Ushiku, no Japão. A pesquisa, liderada por Masaharu Takemura e colegas, reforça a hipótese de que vírus gigantes podem ter desempenhado papel central na origem das células eucariontes.
O ushikuvirus compartilha semelhanças com a família Mamonoviridae, que abrange vírus gigantes de DNA que infectam amebas e outros protistas. Ambos apresentam estrutura icosaédrica e possuem espículas na superfície, características que ajudam a situá-lo na mesma linhagem evolutiva.
Diferenciais importantes aparecem na forma como o ushikuvirus atua. Ao contrário de parentes próximos, ele rompe a membrana do núcleo da ameba para produzir partículas virais, demonstrando capacidade de replicação mesmo sem dependência total do núcleo celular. Além disso, a infecção provoca crescimento acentuado da ameba hospedeira, atingindo dimensões incomuns.
Esses comportamentos sugerem que as interações entre vírus gigantes e células hospedeiras podem ter impulsionado adaptações evolutivas. Os autores defendem que tais efeitos teriam influenciado a complexidade das próprias células eucariontes, contribuindo para a evolução da vida como é conhecida.
A pesquisa destaca ainda que os descendentes modernos de vírus gigantes são difíceis de isolar em laboratório, o que torna a documentação de novos exemplares desafiadora. O ushikuvirus, por ter se destacado pela sua relação com o núcleo celular, oferece novos dados para entender essa dinâmica histórica.
Entre as possíveis aplicações práticas, o estudo aponta caminhos para o desenvolvimento de estratégias no combate a infecções por amebas. A descoberta também estimula novas perguntas sobre como vírus podem ter moldado a evolução biológica ao longo de bilhões de anos.
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