- Sete guepardos mumificados naturalmente foram encontrados em cavernas no norte da Arábia Saudita, com idade de até 1.870 anos; ossos mais antigos remontam a cerca de quatro mil anos.
- Cientistas extraíram DNA de três desses animais e reconstruíram genomas completos pela primeira vez em grandes felinos mumificados naturalmente.
- As cavernas próximas à cidade de Arar, na região de Lauga, também contêm ossos de outros cinquenta e quatro felinos; uma entrada requer descer por um sumidouro de quinze metros.
- A análise genética mostra que os guepardos antigos da região não pertencem a uma única linhagem, com o exemplar mais recente próximo do guepardo asiático e os mais antigos semelhantes ao guepardo do noroeste africano.
- A descoberta pode orientar planos de reintrodução do guepardo na natureza, mas enfrentam desafios como áreas amplas e conectadas, presença humana, caça ilegal e necessidade de manter presas estáveis.
Em cavernas remotas no norte da Arábia Saudita, pesquisadores encontraram guepardos mumificados naturalmente, com idades estimadas entre 130 e 1.870 anos, além de ossos de outros felinos. O achado ocorreu em 2022 durante expedição do Centro Nacional de Vida Selvagem do país.
Sete guepardos preservados e 54 restos de felinos foram encontrados em um complexo de cavernas próximo à cidade de Arar, na região de Lauga. A mumificação ocorreu devido ao clima seco, que preserva tecidos e órgãos por longos períodos.
A notícia do achado, publicado na revista Communications Earth & Environment, destaca que é incomum encontrar grandes felinos mumificados na Península Arábica. Além disso, parte dos animais teve genomas inteiros reconstruídos a partir de DNA recuperado.
Detalhes da descoberta e significado científico
As cavernas podem ser acessadas apenas por sumidouro de cerca de 15 metros, e não havia registros anteriores de uso de esse tipo de abrigo por guepardos. Excrementos e restos de presas sugerem uso frequente como refúgio em um ambiente de altas temperaturas.
A equipe conseguiu extrair genomas completos de três dos sete guepardos, marcando a primeira vez que esse tipo de dado é obtido de grandes felinos mumificados naturalmente. A análise sugere diversidade de origens entre os guepardos antigos da região.
Os três exemplares com genomas diferentes indicam que a população histórica da Arábia Saudita não pertencia a uma única linhagem, com o espécime mais novo próximo do guepardo asiático, enquanto os mais antigos se assemelham ao guepardo do noroeste africano.
Essa visão reconfigura a narrativa de que apenas o guepardo asiático vivesse na região. Movimenta, assim, o debate sobre estratégias de preservação e possível reintrodução da espécie na natureza.
Planos de conservação e desafios
A Arábia Saudita já iniciou ações para a recuperação de presas, como órix e antílopes, além de criar áreas de conservação. Em 2023, foi lançado um programa para reintroduzir o guepardo-árabe, com avanço em 2024 na criação de uma população reprodutora em vida livre.
No entanto, a implementação enfrenta obstáculos, como a necessidade de áreas grandes e conectadas para permitir circulação, caça e reprodução. A presença humana, com estradas e assentamentos, aumenta o risco de atropelamentos e conflitos com comunidades locais.
Outro desafio é manter uma base estável de presas ao longo do ano, reduzindo perdas por caça ilegal e competição com rebanhos domésticos. A cooperação com comunidades e fiscalização contínua são apontadas como cruciais.
Especialistas ressaltam que o sucesso dependerá de continuidade governamental e recursos financeiros a longo prazo, para sustentar pesquisas, monitoramento e manejo de conflitos.
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