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Perigos cercam dois dos primatas mais ameaçados do mundo

Entre Cross River e Korup, o colobus vermelho de Preuss depende de habitat protegido para sobreviver; na Bangka, o loris lento enfrenta extinção por desmatamento e mineração

Bangka island, Indonesia. Image by Maro-Visons via Wikicommons (CC BY-SA 4.0)
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  • Preuss’s red colobus vive em duas populações na faixa Camarões-Nigéria, somando cerca de 3.000 indivíduos no Korup National Park e no Cross River National Park, e outra no Yabassi Key Biodiversity Area (Ebo, Makombe e Ndokbou).
  • Principais ameaças: caça, perda de habitat por logging e plantações de oleaginosas, além de invasões de florestas por atividades agroindustriais e estradas abertas na fronteira Nigeriana.
  • Bangka slow loris, da ilha de Bangka, tem área de ocorrência extremamente restrita, não é observado desde 1937 e a floresta vem sendo degradada por mineração, dificultando qualquer entendimento sobre a espécie.
  • A implementação do Red Colobus Action Plan (ReCAP) avança de forma diferente entre os países: Nigéria tem monitoramento e ações junto a comunidades; Camarões enfrentam entraves por instabilidade regional desde 2016.
  • A conservação depende de mais pesquisas, mapas de distribuição atualizados e ações coordenadas entre governos, ONGs e comunidades para proteger habitat e reduzir pressões diretas sobre as duas espécies.

Entre a região fronteiriça entre a Cross River, na Nigéria, e o rio Sanaga, no Camarões, ainda resta um dos maiores blocos de floresta tropical inalterada da África Ocidental. Nesse mosaico, vivem grupos do mono Preuss’s red colobus, com cerca de 3.000 indivíduos, e espécies de floresta envolvidas na dinâmica do ecossistema local.

O Preuss’s red colobus, descrito como uma espécie com dois grandes grupos populacionais, enfrenta caça, desmatamento e expansão de plantações. Cientistas e organizações locais destacam a necessidade de monitoramento contínuo para entender a distribuição e os riscos nesses habitats fragmentados.

Na Indonésia, na ilha de Bangka, o slow loris Bangka (Nycticebus bancanus) é ainda mais enigmático: pouco conhecido por décadas, não há relatos de surtos recentes de observação e as subpopulações devem estar fragmentadas. A ilha enfrenta perda florestal acelerada por mineração e plantas de óleo.

Protegendo espécies significa protegendo habitat

Ekwoge Abwe, diretor nacional da Cameroon Biodiversity Association, aponta duas populações principais do colobus: uma ao longo da fronteira Camarões-Nigéria, no Korup e no Cross River, e outra na região de Yabassi, incluindo florestas de Ebo, Makombe e Ndokbou. Em Ebo, pesquisas não registraram avistamentos nas últimas décadas.

Segundo Abwe, a predação é determinada pelo comportamento de congelamento dessas espécies, o que facilita a caça para o comércio de carne de caça. A perda de habitat, causada por desmatamento e expansão de plantações, agrava o risco para o colobus.

Nos Cerrados de Korup e no entorno, áreas dedicadas à exploração madeireira e plantações de óleo de palma ampliam a pressão. No Nigeria, limites mal demarcados em Cross River aumentam o risco de expansão agrícola e extração ilegal de madeira, colocando populações remanescentes sob ameaça.

O slow loris de Bangka enfrenta cenário distinto, com alcance extremamente limitado e floresta degradada pela mineração na ilha. Anna Nekaris, especializada em lorídeos, aponta que persistem lacunas significativas de dados sobre a espécie, exigindo pesquisas de campo.

A expansão de plantações de óleo de palma também é citada como fator de pressão em Bangka, agravando a fragmentação de populações de loris. Nekaris frisa a necessidade de estudos detalhados para entender comportamento, status e dinâmica populacional.

Conservação direcionada

Especialistas defendem mais levantamentos para confirmar a presença do colobus nas áreas fragmentadas e para avaliar ameaças em parques nacionais e áreas adjacentes. O plano de ação Red Colobus (ReCAP) avança de forma desigual entre Nigéria e Camarões, conforme o contexto local.

Inaoyom Sunday Imong, da Wildlife Conservation Society, relata monitoramento mensal em CRNP e programas educativos sobre leis de fauna e importância do colobus para comunidades vizinhas. A colaboração com operadores de óleo de palma tem freado novos licenciamentos.

No Camarões, a implantação do ReCAP encontra entraves decorrentes de instabilidade regional. Contudo, ações de disseminação de informações em Ebo Forest seguem as recomendações para espécies ameaçadas, incluindo grandes primatas.

A comunidade científica solicita apoio para pesquisas genéticas em lorídeos e a participação de equipes locais. Estudos em outras espécies de lorídeos servem de referência para orientar manejos, reintroduções e translocações futuras.

Leandro Jerusalinsky, da IUCN, reforça que a inclusão de uma espécie na lista Primates in Peril é um chamado à ação para governos, doadores e ONGs. A lista de 2025 reforça a necessidade de estratégias rápidas e bem direcionadas.

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