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Cogumelos provocam alucinações: dezenas de humanos vistos nos pratos

Cientistas ligam Lanmaoa asiatica a alucinações lilliputianas repetidas, com viagens de 12 a 24 horas e risco de internação

Colin Domnauer Bowls containing piles of brown mushrooms with bright yellow undersides (Credit: Colin Domnauer)
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  • O fungo Lanmaoa asiatica é ligado a alucinações de figuras minúsculas que aparecem durante as refeições, observadas por pacientes em um hospital da província de Yunnan, na China.
  • Em Yunnan, o fungo é vendido em mercados, aparece em cardápios de restaurantes e é consumido durante a temporada de cogumos, entre junho e agosto; é necessário cozinhá-lo bem para evitar as alucinações.
  • Pesquisadores, incluindo Colin Domnauer, sequenciaram os genomas de cogumos coletados na região e confirmaram a identidade da espécie; relatos de alucinações similares existem desde décadas atrás em outras regiões, como Papua Nova Guiné.
  • Testes com extratos do fungo mostram mudanças comportamentais em camundongos, com hiperatividade seguida de longo estado de atonia; o composto químico responsável ainda não foi identificado, e o efeito pode durar de doze a vinte e quatro horas.
  • Os cientistas buscam entender o mecanismo cerebral por trás das alucinações e a possível aplicação terapêutica de descobertas sobre esse fungo, que também pode indicar um vasto potencial de descoberta na bioquímica de fungos.

Lanmaoa asiatica: o cogumelo que provoca visões de mini-pessoas tem sido tema de estudo constante em Yunnan, China, onde médicos atendem centenas de casos todos os anos. Pacientes relatam ver elfos marchando sob portas, subindo paredes e agarrando móveis. A origem é um cogumelo que cresce com pinheiros na região e é consumido popularmente na temporada de junho a agosto.

Os pacientes costumam apresentar a percepção de pequenas figuras durante a alimentação ou ao vestir roupas, com as visões intensificando-se quando os olhos estão fechados. A causa está associada a L. asiatica, cogumelo consumido localmente como alimento em mercados, restaurantes e casas. O preparo inadequado pode intensificar as alucinações.

Desvendando a espécie e o conjunto de estudos

Em 2023, pesquisador Colin Domnauer, da Universidade de Utah, viajou pela província de Yunnan para coletar amostras vendidas como L. asiatica. A partir de sequenciamento genético, a equipe confirmou a identidade da espécie e iniciou testes com extratos em modelos animais, observando alterações de comportamento em camundongos.

Domnauer também percorreu as Filipinas, onde amostras coletadas apresentaram variações visuais, porém pertenciam à mesma espécie. Avaliações químicas continuam para identificar o composto responsável pelas alucinações, já que os traços observados são incomuns entre psicoativos conhecidos.

O que se sabe sobre o composto e a duração

As análises sugerem que o efeito é distinto de substâncias psicoativas já descritas, com viagens com duração longa, frequentemente entre 12 e 24 horas, e em alguns casos hospitalizações de até uma semana. Por isso, o estudo evita o consumo de cogumelos crus, que amplifica os sintomas.

Ainda não há consenso sobre a aplicação terapêutica ou sobre como o fenômeno ocorre tão consistentemente entre diferentes relatos. A pesquisa foca em entender as vias cerebrais envolvidas e possíveis implicações para tratamentos de condições neurológicas.

Implicações e panorama científico

Estudar L. asiatica pode ampliar o conhecimento sobre mecanismos cerebrais de alucinações naturais e oferecer insights sobre plasticidade neural. Atratividade de descoberta em fungos aponta para um vasto potencial farmacológico ainda não explorado, segundo especialistas.

Estimativas apontam que menos de 5% das espécies fúngicas descritas no mundo foram catalogadas. A investigação reforça a necessidade de preservar ecossistemas e ampliar a compreensão sobre a diversidade bioquímica do reino fungi, com possíveis aplicações futuras.

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