- Um estudo na MIT revelou que células cancerígenas podem tolerar mutações perigosas no gene TP53 (p53) graças de uma “rede de dobragem” de proteínas chamada rede de proteostase, que ajuda as proteínas a tomarem forma correta.
- A proteína HSF1 atua como regulador-mestre dessa rede; em células cancerígenas, HSF1 fica ativado de forma contínua, ampliando o ambiente de dobragem de proteínas.
- Os pesquisadores criaram uma linha celular cancerígena para aumentar a ganho de atividade de HSF1 e testaram milhares de versões mutadas de p53, observando maior tolerância a mutações ruins quando HSF1 estava elevado.
- Com o auxílio da rede de proteostase, substituições de aminoácidos normalmente disruptivas permanecem estáveis, permitindo que o câncer continue a crescer.
- Os autores destacam que entender como o câncer utiliza essa “rede de proteção” pode levar a estratégias que derrubem esse mecanismo e tornem as mutações do p53 prejudiciais ao tumor. O estudo foi publicado em 22 de janeiro na capa da Molecular Cell.
Do estudo publicado na capa de Molecular Cell em 22 de janeiro, pesquisadores da linha de química liderada por Matthew D. Shoulders, do MIT, identificaram um mecanismo oculto que permite a sobrevivência de células cancerígenas mesmo sob drogas potentes. O achado aponta para uma “rede de proteção” celular que facilita mutações agressivas no câncer.
A pesquisa foca no gene TP53, conhecido como p53, apelidado de guardião do genoma. Mutação dominante negativa pode desativar a função de p53 e comprometer a defesa celular. A equipe observou que redes de chaperonas, que ajudam proteínas a dobrarem-se corretamente, estão mais ativas em células tumorais.
Os experimentos mostraram que o aumento da atividade de um regulador-chave, o HSF1, amplifica a rede de proteostase. Com esse suporte adicional, variantes de p53 que normalmente seriam degradadas permanecem estáveis e ajudam o crescimento tumoral. A descoberta liga dinâmica evolutiva à tolerância a mutações.
O papel da proteostase no câncer
A equipe criou uma linha celular cancerosa para ligar a atividade de HSF1 ao processamento de mutações em p53. A partir disso, testaram milhares de versões com mutações únicas na proteína, observando maior tolerância a mutações perigosas quando a rede de dobragem está ativada.
Segundo os pesquisadores, esse mecanismo explica parte da resiliência tumoral e por que intervenções que bloqueiam chaperonas, como a HSP90, são complexas. Entender como o câncer burla mutações negativas pode abrir caminhos para interromper essa rede de proteção.
O estudo teve colaboração de laboratórios de Yu-Shan Lin, Tufts University; Francisco J. Sánchez-Rivera, MIT; William C. Hahn, Broad Institute e Dana-Farber; e Marc L. Mendillo, Northwestern University.
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