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Arsênio, chumbo e mercúrio afetam o neurodesenvolvimento infantil, aponta estudo

Exposição pré-natal a arsênio em áreas urbanas associa atraso no desenvolvimento motor grosso de bebês; chumbo e mercúrio não apresentam associação consistente

Vista panorâmica do horizonte da cidade de São Paulo com prédios altos e modernos ao fundo e área verde em primeiro plano sob céu azul claro.
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  • Arsênio, chumbo e mercúrio são metais tóxicos; a exposição pré-natal pode afetar o neurodesenvolvimento, e a placenta não funciona como barreira total para poluentes.
  • A imaturidade da barreira hematoencefálica fetal aumenta a vulnerabilidade a esses metais durante a gestação.
  • Em estudo brasileiro com 393 crianças, níveis de arsênio no cordão umbilical foram associados a eight times mais chance de atraso no desenvolvimento motor grosso aos 12–18 meses (quando a concentração de arsênio foi ≥ 1,03 µg/L).
  • Efeitos notados com maior relevância foram no domínio motor grosso; não houve associação consistente entre chumbo ou mercúrio e os desfechos do neurodesenvolvimento.
  • Os resultados destacam a importância do acompanhamento pré-natal, avaliação precoce do neurodesenvolvimento e políticas públicas para reduzir a exposição ao arsênio em ambientes urbanos.

A poluição não se limita a fumaça de carros. Metais tóxicos, como arsênio, chumbo e mercúrio, estão presentes na água, nos alimentos e no ar. O problema envolve exposições diárias, principalmente em áreas urbanas, com impactos conhecidos no sistema nervoso.

A placenta não funciona como barreira absoluta contra poluentes. Além disso, a barreira hematoencefálica do feto é imatura, aumentando a vulnerabilidade aos efeitos neurotóxicos. Arsênio, chumbo e mercúrio estão associados a alterações no neurodesenvolvimento durante a gestação.

Em um estudo brasileiro, 393 crianças foram acompanhadas até 12–18 meses. Amostras de sangue do cordão umbilical mostraram baixas, mas presentes, concentrações de arsênio, chumbo e mercúrio. A exposição pré-natal ao arsênio teve relação com déficits motores.

O que o estudo mostra

Crianças com maiores níveis de arsênio no cordão apresentaram oito vezes mais chance de falhar no teste de desenvolvimento motor grosso aos 12–18 meses. Não houve associação consistente entre chumbo ou mercúrio e os desfechos avaliados.

A análise sugere que atrasos no motor grosso podem indicar exposição neurotóxica precoce. Esses déficits podem preceder dificuldades cognitivas mais complexas observadas mais tarde.

Implicações para saúde pública

Os resultados indicam a importância do acompanhamento pré-natal para identificar gestantes com maior risco de exposição a metais. Monitorar fontes ambientais e realizar avaliações precoces do neurodesenvolvimento são medidas relevantes.

Políticas públicas podem direcionar esforços para reduzir a exposição ao arsênio em ambientes urbanos. Estudos longitudinais são necessários para compreender melhor os efeitos ao longo da infância.

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